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Cínico E Carregado De Referências, “Máscara De Ferro Vs. Zumbis” É Entretenimento Puro

O editor, professor, quadrinhista e livreiro Bernardo Aurélio é costumeiramente associado ao clássico contemporâneo “Foices e Facões“, que, apoiado em farta pesquisa histórica, reconta a luta pela independência no Piauí, perpassando a batalha do Jenipapo.

Produzido em parceira com seu irmão Caio Oliveira, o quadrinho não é, entretanto, sua única produção na área. Afinal, Bernardo é também criador do inefável Máscara de Ferro, um herói tipicamente piauiense que surgiu carregando certos traços autobiográficos.

À medida que produzia novas histórias, o autor foi se permitindo maior liberdade e experimentos narrativos, fazendo do Máscara o centro de um delicioso balaio de referências e apelo nonsense. É o que comprova o leitor deste gibi, “Máscara de Ferro Vs. Zumbis“, o terceiro volume lançado do personagem. O quadrinho foi financiado pela plataforma Catarse.

Aqui, Máscara enfrenta uma invasão zumbi em Teresina, procurando ajudar os cidadãos frente à ameaça dos comedores de cérebro. O aparente descompromisso com uma trama mais elaborada pode enganar o leitor, uma vez que novos elementos são introduzidos ao longo dos capítulos, dando corpo a um enredo instigante, que envolve zumbis controlados por nanorobôs, num experimento liderado pelo exército americano para dominar o Piauí.

Como se tal absurdo não bastasse, temos ainda a ingerência do Satanás em pessoa na situação e a progressiva tomada de consciência por parte dos “zumbôs” (um misto de zumbis e robôs), que se libertam do controle americano e formam uma consciência coletiva, uma legião, em busca de sentido para sua existência. Mas do que seriam capazes, agora livres e conectados?

O ritmo do quadrinho é frenético e o roteiro de Bernardo é cheio de gags, “quebrando” exposições com piadas e o mais puro deboche, ressaltado pelas dinâmicas em cada quadro, que refletem as mais diversas influências, a exemplo dos mangás e seriados japoneses. Torço para que o Máscara de Ferro não demore a ganhar outra aventura. Afinal, alguns “ganchos” são deixados nas páginas finais.

Rafael Machado
Parnaibano, leitor inveterado, mad fer it, bonelliano, cinéfilo amador. Contato: rafaelmachado@quintacapa.com.br