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“Comic Con RS vai continuar”, garante organizador do evento

"Comecei a sonhar a Comic Con RS neste mesmo local onde ela est´acontecendo hoje", conta Émerson Vasconcelos

Após mais de dois anos, período em que todos os eventos foram suspensos por conta da pandemia, voltou a acontecer na cidade de Canoas (RS), a Comic Con RS, considerado um dos mais importantes acontecimentos de cultura pop do Rio Grande do Sul. O que se viu nos dois dias de evento foi uma presença de público muito boa, ávida por voltar a ter contato com os quadrinhistas, editoras e editores, a debater sobre o tema, e comprar quadrinhos e produtos afins. O QUINTACAPA conversou com Émerson Vasconcelos Almeida, principal organizador da Comic Con para saber se teve medo de voltar, se as expectativas foram correspondidas e, principalmente, se teremos a Comic Con RS 11º, em 2023. Entre os segredos revelados por Émerson para que tudo ocorra como o esperado é ter uma equipe dedicada, que gosta do que está fazendo. “Eu amo minha equipe”, comemora. Confira a entrevista:

 

Qual a emoção de voltar a fazer a Comic Con RS depois de mais dois anos ausente?

Está sendo muito emocionante, porque a gente não sabia se não ia encontrar um evento vazio. Afinal de contas, não dá para garantir os hábitos de um público de uma região quando o setor não existiu durante dois anos, quase três, na verdade. E ver acontecer assim, voltando com um sábado com um público maior que foi o sábado do evento anterior dá uma esperança muito grande. De que o setor está voltando, de que o cenário está aquecendo novamente, apesar de que, claro, a gente está num momento do Brasil em que crescer é uma palavra muito forte. Mas estamos conseguindo manter aquilo que a gente conquistou, apesar da pandemia, e com essa estrutura sólida para poder crescer quando o momento do país permitir.

Cosplay de vários personagens chamaram a atenção no evento. Muitas pessoas pediam para tirar fotos

 

Mas em algum momento teve o receio de fazer, passou pela tua cabeça a frase “será que vai dar certo”, ou “eu volto ou não”?

Não. Do “eu volto ou não”, não teve. Eu volto, e quando voltar vou descobrir se vou ter o maior prejuízo da história da minha vida, ou se eu vou realmente ter a certeza do meu feeling. Meu feeling era: “vai dar certo”, “vai funcionar”. Não ter medo é uma loucura. Eu tenho muito medo, mas a moral é que eu encaro o medo. No momento em que eu não tiver medo vou fazer uma bobagem. Vim com medo o tempo inteiro, mas não pensei em desistir. Teve também muita cautela. Foi um evento que não teve aumento de orçamento, em relação ao último que aconteceu, embora tudo tenha aumentado de preço. A gente negociou para manter dentro do que era a realidade. E é um evento que está surpreendendo, até para mim que acreditava, mostra que talvez eu tenha acreditado mesmo que poderia.

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Um evento como esse ninguém faz sozinho. Foi difícil convencer as pessoas, os apoiadores, a encarar essa mesma coragem que você teve?

Essa história é louca e longa. O evento começa por incentivo dos meus pais. Minha mãe professora, incentivadora de quadrinhos na sala de aula, meu pai era ávido leitor de Zé Carioca. Eu e meu pai conhecemos Renato Canini, que foi autor do Zé Carioca, que a medalha que o evento dá leva o nome dele, que foi o nosso primeiro homenageado. A vontade existia, e com esse apoio familiar tudo começou. Minha mãe cuidava da parte financeira do evento e eu e meu pai ia procurar comercial, convidar as pessoas. Isso durou dois anos, e meu pai faleceu. Desde eu então eu e minha mãe pegamos essa missão praticamente juntos. Eu e o Salete Vasconcelos, são os dois principais organizadores, com muito apoio da Marina de Campos, que é a curadora do evento. Hoje eu faço curadoria, mas faço muito mais a parte de contratar estrutura, de entrar em contato com os convidados. A função da Marina como curadora é essencial. Começa daí e depois os outros setores tem várias pessoas. Não é um tipo de coisa fácil de se fazer. As pessoas acabam doando do tempo delas antes do evento poder ser organizar. Nossa equipe é bem enxuta, porque é o que a gente pode pagar, mas ao mesmo tempo é uma equipe extremamente engajada porque elas gostam muito do que elas fazem, e isso é a melhor coisa. É melhor trabalhar com vinte que gostam muito do que estão fazendo, do que com 40 que não vão dar tudo de si. Eu amo a minha equipe. Os novos que entraram esse ano – infelizmente a gente perdeu pessoas na pandemia, não estão com nenhum pouco menos de gás do que os que já vinham com a gente há 10 anos. Estou muito feliz nessa questão de trabalho em equipe. Posso dizer que a minha equipe é a alma do evento.

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Estamos em pleno evento (a entrevista aconteceu no sábado (3), primeiro dia), mas já pensa alguma coisa para o próximo ano, em ampliar, por exemplo?

O próximo ano já uma certeza que vai acontecer. Vou dizer “vou fazer não importa o que aconteça”, mas é claro que na volta da pandemia corria o risco de olhar, e dizer: o Rio Grande do Sul pode não querer mais uma Comic Com RS. Não. O público geek gaúcho quer uma Comic Com RS, e se ele quer vamos continuar fazendo. Agora, o tamanho dela, com certeza menor que isso ela não vai ser, só tende a aumentar. Até quando a gente puder continuar aqui na Universidade LaSalle, que é o lugar onde eu aprendi a gostar de quadrinhos, como eu falei, tive muito incentivo em casa, mas aqui tive professores que trabalhavam quadrinhos em sala de aula. Isso pra mim foi como trazer um evento de volta pra casa. Eu pensei esse evento quando eu estudava aqui, quando eu estava no Ensino Médio. Então, quando a gente conseguiu fazer aqui eu não precisei pensar onde eu queria botar as coisas, porque a Comic Con RS foi pensada para ser aqui, só demorou pra chegar no lugar ideal pra ela. Olha do tamanho desse campus, ou seja, tem espaço para crescer para várias áreas. Basicamente o evento que eu sonhei quando era adolescente está acontecendo hoje.

 

 

 

 

 

Jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí com mais de 20 anos de atuação na área, sempre com destaque para área cultural, principalmente no campo das histórias em quadrinhos, cinema e séries.