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Lista | 13 artistas inovadoras das histórias em quadrinhos

13 artistas que mudaram a indústria dos quadrinhos que qualquer pessoa séria que goste de quadrinhos deveria conhecer e celebrar.
artistas inovadoras
Montagem/Reprodução

Conheça 13 mulheres que mudaram a história da indústria dos quadrinhos.

Quando escrevemos aqui na Quinta Capa, sempre procuramos ser inclusivos em nossos textos em termos de gênero e não tratamos com diferença homens, mulheres, não binários, agêneros ou outras expressões de identidade em proporções iguais e, não há nada de errado em dedicar um pouco de tempo extra para escrever especiais sobre isso. Embora a indústria de quadrinhos seja vista como um clube do bolinha, nos bastidores alguns dos artistas mais inovadores e criativos são mulheres. E aqui estão 13 nomes que qualquer pessoa séria que goste de quadrinhos deveria conhecer e celebrar.

Essa postagem saiu em Abril de 2020, mas resolvi dá um up em homenagem ao dia Internacional da Mulher.

Tarpé Mills

Miss Fury
Capa do encadernado de Miss Fury de Tarpe Mills

Os primeiros dias da indústria dos quadrinhos eram dominados por homens, mas para June Tarpé Mills, isso era apenas mais uma motivação. A artista nascida no Brooklyn adotou o nome do meio para que editores e leitores não soubessem que ela era uma mulher. Quando passou na prova para estudar artes no Pratt Institute de Nova York, ela trabalhou como ilustradora de moda antes de trabalhar na indústria dos quadrinhos no início dos anos 40.

Tarpe Mills
Tarpe Mills em foto rara com seu quadrinho “Miss Fury” (Reprodução)

Sua personagem mais famosa, Miss Fury, apareceu em várias páginas de jornais de domingo, estreando meio ano antes da Mulher- Maravilha. A história contava a vida de uma socialite que lutava com espiões e criminosos fantasiada de pantera, e Mills também foi a primeira a trazer questões sexuais em revistas semanais.

Para mim, merecia mais reconhecimento e estudo de caso. Ela abriu as portas praticamente para todas as mulheres que citarei abaixo, por isso, senhora Mills, obrigado por tudo.

Marie Severin

Marie Severin, Mulher-Aranha
Mulher-Aranha de Marie Severin, Marvel Comics.

Se há um nome presente em qualquer texto que se fala da história dos artistas mais criativos do mundo dos quadrinhos, é Marie Severin. Seu irmão que se chamava John a trouxe para a EC Comics no auge da popularidade da empresa nos anos 50 apenas para ser colorista. EC significava Entertaining Comics, uma editora americana de histórias em quadrinhos mais identificada com os gêneros de histórias de crime, terror, sátira, ficção militar e ficção científica.

Foi lá que Marie literalmente suou, sangrou e quase perdeu os dentes por causa da tinta que precisava colorir os desenhos. Depois que a Comics Code Authority destruiu a EC, ela foi chamada rapidamente para o departamento de produção da Marvel. Foi lá que passou a ser reconhecida como uma desenhista brilhante – e rápida – e trabalhou nos quadrinhos do Dr. Estranho e do Namor, seguidos por dezenas de outros. Em 1976, ela co-criou a Mulher-Aranha e depois trabalhou para o selo juvenil Star Comics da Marvel.

Marie Severin
Marie Severin em seu estúdio na sua casa (Reprodução)

Marie Severin trabalhou com quadrinhos da década de 1950 até 2007. 50 anos fazendo quadrinhos e algumas pessoas que estão lendo esse texto é fã de quadrinhos que não faziam ideia quem foi ela, certo?

Mari faleceu em Agosto de 2018, saiba mais.

Ramona Fradon

Metamorfo
Metamorfo, Ramona Fradon, DC Comics.

Depois de se formar na faculdade de artes Parsons School of Design, Ramona Fradon foi incentivada a enviar amostras de seus rascunhos artísticos para a DC Comics em 1950. Seu talento para o desenho de figuras e caricaturas criativas deu bastante trabalho para Ramona no início de sua carreira, mas ela começou a se dedicar totalmente aos quadrinhos quando a DC Comics lhe deu Aquaman para desenhar. Sendo uma das pioneiras artistas na empresa, ela que criou Metamorfo com o escritor Bob Haney.

Mas em 1965, Ramona deixou o mundo de quadrinhos para criar sua família, porém quando seus filhos tinham idades que ela achou suficiente para voltar para a DC, Ramona foi bater à porta da editora e lá ganhou diversos títulos famosos para desenhar até o final de 1970.

Ramona Fradon
Reprodução

Em 1980, assumiu o editorial de tirar do jornal Brenda Starr e trabalhou com desenhos cômicos pelos próximos 15 anos. Mesmo após a aposentadoria, ela continuou desenhando, principalmente para o livro ilustrado do Bob Esponja Calça Quadrada.

Rumiko Takahashi

Ranma
Ranma ½, Rumiko Takashashi.

A indústria de mangás no Japão foi dominado por homens por anos após a Segunda Guerra Mundial, mas muitas jovens artistas se inspiraram em Osamu Tezuka para escrever e desenhar suas próprias histórias. Uma das mais notáveis, talvez, a mais importante, é Rumiko Takahashi, que estudou com Kazuo Koike (Lobo Solitário) na mesma escola de desenho década de 1970, antes de estrear seu mangá solo Urusei Yatsura em 1978.

A história divertida de uma princesa alienígena que vem à Terra avisar que nosso planeta seria invadido se tornou um enorme sucesso dentro e fora do Japão, e Takahashi nunca mais parou de desenhar, com sucesso após sucesso, sendo Maison Ikkoku (Ranma ½) o épico e engraçado mangá de artes marciais onde o protagonista troca de gênero quando se molha por causa de uma maldição, o mais famoso e conhecido trabalho que ela fez.

Rumiko
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Takahashi continuou trabalhando até anos atrás e foi recentemente homenageado com o Grand Prix de la ville – essencialmente um prêmio de conquista pela vida – no prestigiado festival de quadrinhos de Angouleme na França.

Trina Robbins

Mulher-Maravilha
Mulher-Maravilha, Trina Robbins, DC Comics.

Os anos 70 foram um período criativo para os quadrinhos, tanto dentro quanto fora do mainstream da indústria. Enquanto a Marvel construía seu universo, as ruas de São Francisco fervilhavam de artistas underground publicando seus próprios trabalhos artísticos. Normalmente, esses quadrinhos não eram tão dominados por homens – verdade seja dita, eu preciso pesquisar esse momento histórico artístico – nesse movimento quase cultural em São Francisco, surgiu Trina Robbins, que veio do Brooklyn que fazia e participava de trabalhos artísticos principalmente para a ficção científica, foi também por essa época que, Trina e um grupo de amigos montou o que seria conhecido como Wimmen’s Comix, uma antológica coleção de promissoras cartunistas que seria massivamente influente para diversos momentos da história da arte de rua americana. Robbins trabalharia em toda a indústria, do underground à Marvel. Mas seu nome ganhou notoriedade por ser a primeira artista feminina a desenhar a Mulher Maravilha.

Trina Robins
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Shawn Kerri

CARtoons
CARtoons, 1983, Shawn Kerri.

Trabalhando quase exclusivamente dentro do mundo da cultura automobilística e do punk rock da Califórnia, Shawn Kerri foi uma dos cartunistas mais subestimadas de sua época e hoje é considerada quase um gênero artístico para os estudiosos do movimento underground americano da década de 1980.

Shawn Kerri
Talvez a única foto da Shawn na época que ela era do movimento punk underground nos anos 70/80 (Reprodução)

Shawn Kerri só ganharia um pouco de prestígio quando projetou a mascote e a logo da banda de punk rock Circle Jerks. Kerri – Shawn Maureen Fitzgerald – entrou na indústria com tiras na revista de humor automobilística CARToons, aos dezessete anos. Alguns anos depois, ela se mudou para Los Angeles e começou a produzir o fanzine punk Rude Situation, contribuindo ainda para a revista Cracked e escrevendo histórias em quadrinhos do Pato Donald para a Disney e desenhando piadas sujas para Hustler usando o pseudônimo Dee Lawdid.

Apenas.

Colleen Doran

Distant Soil
A Distant Soil, imagem original de uma versão impressa, Collen Doran.

Nas décadas de 1980 e 1990 explodiu dentro da indústria de quadrinhos a autopublicação de diversos artistas, impulsionado, principalmente, pelo sucesso de Teenage Mutant Ninja Turtles de Kevin Eastman e Peter Laird em 1984,  isso permitiu que toda uma geração de artistas pudessem colocar seus quadrinhos nas bancas. Colleen Doran era uma prodigiosa artista, sua carreira começou literalmente quando tinha cinco anos e venceu um concurso de ilustração da Disney, quando estava ainda na puberdade já fazia trabalhos profissionais em empresas de publicidade.

Collen Doran
Reprodução

Em 1979, ela juntou dinheiro e começou a imprimir sozinha em formato de fanzine seu épico de ficção científica A Distant Soil. Uma série que teve bastante influência dos mangás japoneses. Collen Duran escreveu e desenhou mais de mil páginas da saga A Distant Soil sozinha.

Seu talento é tão impressionante que ela fez bastante trabalhos de capas, cores e tudo que você imaginar dentro da indústria tanto para a Marvel como para a DC e Image Comics, inclusive ilustrando Sandman.

Ela ainda produz até hoje e é bastante ativa em sua conta do twiiter, passem lá e agradeçam a esta incrível artista por tudo que já produziu.

Julie Doucet

Julie Douchet
Reprodução

A cartunista Julie Doucet, nascida em Montreal, se tornou uma das artistas mais icônicas do final dos anos 90 com sua série Dirty Plotte, seu trabalho era mais uma mesclagem de colagens e pinturas, ela criava seus trabalhos baseados em sonhos, fantasia e realismo sombrio, delineada em um estilo de arte profundamente texturizado que melhorava aos trancos e barrancos a cada edição. Ela foi considerada uma artista suja para alguns especialistas simplesmente por ser feminista demais.

Julie Doucet
Reprodução

Doucet parou de desenhar e escrever Dirty Plotte em 1998, passando para obras mais longas e colagens experimentais. Ela basicamente criou uma escola alternativa de produção de quadrinhos e 2006 anunciou sua aposentadoria, mas continua fazendo pesquisas, dando impressões e analisando diversos trabalhos de curadoria de desenho e arte em faculdades.

Amanda Conner

Amanda Conner
Poderosa e Arlequina, Amanda Conner, DC Comics.

Depois de estudar na prestigiada e mais famosa faculdade de quadrinhos Joe Kubert School, Amanda Conner conseguiu seu primeiro trabalho na Marvel aos 21 anos de idade e vem refinando seu estilo de arte expressivo e dinâmico em dezenas de quadrinhos diferentes desde então. No final dos anos 80, ela assinou contrato com Archie Comics por alguns anos, mas seu maior prestígio na indústria ocorreu na DC, onde ela se tornou a artista icônica da personagem Poderosa e, em seguida, levou Arlequina (Harley Quinn) ao olimpo dos personagens da empresa fazendo seu quadrinho solo e sua própria série.

Amanda Conner
Reprodução

Até hoje o desenho de personagem da Arlequina usado nas animações e no cinema são supervisionados pela Amanda Conner.

Fiona Staples

Saga, Fiona Stples.
Arte do quadrinho Saga, desenhado pela Fiona Stples.

Uma das artistas mais aclamadas pela crítica no mundo dos quadrinhos atualmente, Fiona Staples trouxe uma sensibilidade única à sua longa colaboração com o roteirista Brian K. Vaughan no quadrinho vencedor de diversos prêmios, Saga.

Staples é notável por adotar 100% a tecnologia para criar páginas que parecem tudo foi desenhado no papel com lápis, mas tudo são renderizações com cores fortes e linhas impressionantes. Em 2015, ela foi contratada para ilustrar os quadrinhos reboot do Archie Andrews (Archie Comics), atualizando o adolescente tradicional para o público moderno.

Fiona Staples
Reprodução

Aqui no Brasil o quadrinho do Archie não são tão famosos, mas o público americano consome bastante, tanto que a editora existe desde 1941.

Fiona é ativa e ativista no seu perfil do twitter, se forem lá, mandem um obrigado que ela responde na maior educação do mundo.

Sana Takeda

Monstress
Monstress, Sana Takeda.

Por fim, chegamos na sobrenatural artista japonesa Sana Takeda que começou na indústria de videogames, criando renderizações em 3D de atletas para os títulos esportivos da Sega. O editor da Marvel C. B. Cebulski conheceu seu portfólio e percebeu que ele tinha um talento incrível em suas mãos, contratando-a para ilustrar títulos como a Ms. Marvel. Takeda desenha totalmente no Photoshop, mas a gente quase não percebe isso – as ilustrações dela são ricas em textura e fluem brilhantemente de quadro para quadro. Sua série atual e autoral se chama Monstress com a escritora Marjorie Liu, e é um emocionante épico de fantasia de terror que é um sucesso crítico e comercial.

Sana Takeda
Reprodução

Atualização 27 de Abril de 2020: Com a dica do leitor Marcus Vieira, resolvi adicionar mais duas autoras na lista que infelizmente consegui deixar de fora, pois toda a culpa por isso, foi e será minha. E aqui estão elas:

 

Marjorie Buell

Luluzinha
Luluzinha, criação de Marjorie Buell (Reprodução)

No dia 23 de fevereiro de 1935 surgiu a primeira tira em quadrinhos da Luluzinha que desde o início sempre se destacou como uma menina independente, com ideias próprias. O sucesso foi tão grande no jornal Saturday Evening Post que durou até 1944. A criação de Marjorie Henderson Buell deu voz a uma boa parcela de leitores em quadrinhos. As meninas que não se reconheciam nas histórias em quadrinhos, até então, da época.

Mas o que poucos sabem é que a independência da Luluzinha é um reflexo da sua criadora. Marjorie começou cedo. Aos 16 anos lá estava ela vendendo seu primeiro trabalho artístico em quadrinhos para um jornal. Em 1920, adotou o nome artístico “Marge”. Com o sucesso de Luluzinha, tornou-se uma das poucas artistas que detinha os direitos autorais, algo raro para a época, e durante os Anos 40, negociava com jornais diretamente e isso durou até 1947, logo após esse ano, ela deixou sua maior criação ser administrada pela empresa de tiras americana syndicate.

Graças a isso, mesmo ela ainda tendo o controle criativo da Luluzinha que, a personagem ganhou outras mídias e ganhou o mundo. Aqui no Brasil, a revista da Luluzinha foi campeã de vendas nos anos 80.

Marjorie Buell, já com família e filhos, sempre foi uma artista que não gostava dos holofotes, basicamente não se encontra muita coisa sobre sua vida pessoal, mas sabe-se que ela vendeu os direitos autorais da Luluzinha em 1973 e viveu dessa renda até a morte em 1993.

Em 2006 os filhos doaram todo o seu material de trabalho para a Universidade de Harvard. (Saiba mais).

Marjorie Buell
Reprodução

 

Dale Messick

 

Brenda Sttar
Brenda Sttar, Dale Massick (Reprodução)

 

Considerada uma das artistas mais importantes do século XX, Dale Messick, foi pioneira em escrever e desenhar quadrinhos de aventura de sucesso na década de 1950.

Dale Messick foi a criadora de Brenda Starr, Repórter. Brenda é uma audaciosa jornalista que trabalha para o jornal The Flash, vivendo aventuras profissionais e amorosas.

Brenda Starr, rompeu com a hegemonia masculina nessa área e criou uma personagem que fez sucesso por mais de setenta anos. Mesmo Dale Messick sofrer todo o tipo de preconceito apenas por ser mulher, ela nunca desistiu de produzir.

 

Dale Messick
Reprodução

Ao se aposentar, na década de 1980, Dale exigiu que a personagem continuasse a ser produzida, mas apenas por mulheres. Na época, Linda Sutter (roteirista) e Ramona Fradon (ilustradora) assumiram a função de manter a personagem viva.

Esse texto existe apenas com intuito de mostrar superficialmente a importância que cada artista citada aqui foi para a indústria, claro, eu deixei diversas fora dessa lista, mas são de pequenas coisas que as grandes ideias acontecem. A Malú Flávia e a Danielle Dantas me deram uma ajuda no texto.

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PikachuSama
Editor de Contéudo deste site. Eu não sei muita coisa, mas gosto de tentar aprender para fazer o melhor.