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Resenha | Batman: Último Cavaleiro da Terra n° 1 (Snyder & Capullo)

Em sua jornada por uma terra arrasada, Scott Snyder e Greg Capullo nos apresentam um conto de terror e obstinação no primeiro volume de Batman: Último Cavaleiro da Terra. É uma pena que vários clichês se façam presentes na história, servindo como muleta narrativa.

Desenho do Batman de Greg Capullo
Scott Snyder e Greg Capullo reunidos novamente com o Batman.

Nove anos que o escritor Scott Snyder está envolvido com o homem-morcego. Desde 2011, desde quando estreou em Detective Comics, em um fase bastante elogiada, quando o Batman ainda era Dick Grayson (efeitos da fase Grant Morrison), o escritor americano está envolvido com algo do universo do Cavaleiro das Trevas. Assumindo toda a fase dos Novos 52 do personagem, Snyder encontrou aquele que seria seu companheiro nas histórias do Cruzado Encapuzado: Greg Capullo.

Os dois cuidaram do principal título do Batman por uma fase que vai de 2011 até 2016. Porém, não se separam do personagem, já que foram os mentores da saga Noite de Trevas: Metal em 2017, em que o Homem Morcego é o principal personagem. Pelo caminho, vários outros trabalhos de Snyder com o Batman surgiram, como a nova fase All-Star Batman, Batman Eterno e Batman & Robin Eternos.

Ou seja, o Snyder dedicou boa parte de sua carreira ao Batman, alcançando bons números de vendas, mesmo não sendo unanimidade de críticas, que existem aos montes.

Pessoalmente, acho o escritor, ao lado de Greg Capullo, dois ótimos criadores, cheio de ideias que levam o Batman a novas direções. Mas tenho que concordar que falta foco ao fechar as boas ideias apresentadas no começo de cada trama.

Desenho do Batman com uma motosserra de John Romita Jr.
Não se pode negar que o escritor pesa a mão em momentos chocantes. Desenho de John Romita Jr. para All-Star Batman.

É com esse misto de expectativa e apreensão que o leitor terá em mãos a mais nova contribuição da dupla Snyder e Capullo, Batman: Último Cavaleiro da Terra.

E é bom dizer que a trama começa funcionando bem, com vários conceitos bons, mesmo que recheados de clichês.

Ao encontrar uma criança morta no beco do crime, local onde os pais de Bruce Wayne foram mortos, o mesmo acorda em um hospício, onde suas crenças são postas à prova, de que na verdade ele era louco e não existe Batman. O grande clichê já começa daí!

Sorte que é muito bem executado, pois utilizando de uma ideia apresentada lá nos Novos 52 (onde Wayne criou uma máquia que faria Batmen para cada geração – Sim, é muito doido o conceito, mas extremamente funcional da forma como foi apresentada). É dessa forma que somos apresentados a mundo que foi destruído, os seres humanos estão fugindo para outro plano e o Batman é aquele que será a última linha de esperança para salvarmos o planeta. Outro grande clichê repetido à exaustão. Mas, novamente, nas mãos de Snyder e Capullo funciona muito bem na primeira edição de Batman: Último Cavaleiro da Terra.

Arte de Greg Capullo mostrando Alfred
Para sorte dos leitores, a narrativa funciona muito bem, superando os vários clichês da trama.

E essa funcionalidade da história se deve ao clima adotado pelos criadores. Sejamos claros, Batman: Último Cavaleiro da Terra é uma história de terror nesse primeiro volume. Mesmo que alguns elementos sejam exagerados, como o Batman levando para todos os cantos a cabeça do Coringa, o que é extremamente desnecessário, a história flui bem. Da cena inicial no beco do crime, passando pelo hospício e finalizando na revelação de como o mundo veio a ser destruído, esse primeiro volume cumpre bem seu papel em apresentar uma trama com elementos de terror.

E isso se deve aos ótimos desenhos de Greg Capullo. O desenhista demonstra que sabe criar uma atmosfera pesada e closes angustiantes, sendo a escolha perfeita para o traço de Batman: Último Cavaleiro da Terra, assim como foi quando criou com Snyder a mitologia da Corte das Corujas.

Desenho de Greg Capullo
O primeiro volume de Batman: Último Cavaleiro da Terra funciona muito bem sendo uma trama de terror.

A edição da Panini segue a risca a versão americana, já que agora o selo Black Label substituiu a Vertigo, sendo a casa das histórias para leitores mais maduros e grandes criadores.

Mas, verdade seja dita, Batman: Último Cavaleiro da Terra poderia muito bem ser lançado na linha normal, como foi O Batman que Ri, também de Snyder. A trama não traz momentos de gore ou que choquem o leitor, além de ser uma história com clichês já usados exaustivamente em várias hq.

Arte de Greg Capullo.
Sejamos sinceros, Batman: Último Cavaleiro da Terra, apesar de ser do selo Black Label, não foge muito do que Snyder e Capullo já faziam nas revistas principais do Batman.

Com um bom clima de terror, uma história lotada de clichês, que só funcionam devido à qualidade do seu roteirista e desenhista, Batman: Último Cavaleiro da Terra começa muito bem. Resta saber se Scott Snyder e Greg Capullo fecharão bem a história do Batman sendo a última esperança de um mundo devastado. Afinal, fechar tramas não é lá o forte da dupla.

Capa de Batman: Último Cavaleiro da Terra nº 1

 

Ficha Técnica

  • Capa cartão, com 56 páginas
  • Editora Panini
  • Lançamento em março de 2020
  • Preço de capa: R$ 11,90
  • Tamanho: 18,5 x 27,5 cm
  • 8/10
    Roteiro - 8/10
  • 9/10
    Desenhos - 9/10
  • 8.5/10
    Narrativa - 8.5/10
  • 8/10
    Edição Nacional - 8/10
8.4/10

Summary

Um interno desperta no Asilo Arkham. Ele está são. E nunca foi quem pensou ser.
Assim começa uma aventura épica do Cavaleiro das Trevas, que embarca em uma jornada pelo devastado Universo DC para encontrar diversos rostos tão familiares quanto diferentes. Para descobrir o mistério que esse mundo esconde é necessário investigar o que o deixou assim e encontrar a perigosa força que destruiu o mundo como o conhecíamos.

Thiago Ribeiro
Thiago de Carvalho Ribeiro. Apaixonado e colecionador de quadrinhos desde 1998. Do mangá, passando pelos comics, indo para o fumetti, se for histórias em quadrinhos boas, tem que serem lidas e debatidas.