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Crítica | “After Life” da Netflix traz um Ricky Gervais sombrio, sujo e engraçado

After Life é fácil de entender, rir e até se emocionar. Leia o que achamos da segunda temporada que já está disponível na Netflix.
After Life
Netflix

Esta resenha crítica contém um pouco de spoiler da segunda temporada da séria britânica de Ricky Gervais, After Life que, acabou de chegar na Netflix.

Quando Ricky Gervais lança um novo projeto, a grande pergunta é: Qual do Gervais fez isso? Há o Ricky ruim, cínico e sorridente que se diverte insultando as pessoas e sempre terminando com a frase “Desculpe, eu te ofendi?” E há o Ricky do bem, um palhaço triste e sentimentalista que parece está vivendo as letras emotivas do cantor britânico Cat Stevens. Na verdade, eu não acho ele engraçado, mas dei uma chance para “After Life”.

O criador original de “The Office” britânico, uma comédia estridente e dilacerante com espírito humano, sintetizou os dois lados de Gervais em grandeza. Desde então, ele escolhe qual dos Gervais usará em suas produções. Mas estou aqui para falar de “After Life” e é sobre “After Life” que falarei.

A segunda temporada de “After Life” chegou esta semana na Netflix – é uma série original do serviço de streaming. E a série é basicamente um stand-up comedy a céu aberto do seu criador, Ricky Gervais, onde ele interpreta uma pessoa totalmente depressiva e com transtornos suicidas tentando se encaixar na monótona vida de redator de um jornal local.

É uma série ácida de propósito com um Nicky Gervais falando o que pensa, falando o que todos pensam sobre ele e ofendendo até o vento, mas apesar de tudo, o que assisti em “After Life” foi um Gervais interessante e bom que precisa continuar sua vida mesmo achando tudo e todos um tremendo problema. Claro, as vezes ele mesmo coloca os dois lados de sua face no ombro, principalmente na primeira temporada, mas os seis episódios da segunda temporada desta comédia sombria, todos os quais Gervais escreveu e dirigiu são viciosos.

“After Life” é basicamente isso: Gervais interpreta Tony, um jornalista de cidade pequena que perdeu a esposa por causa do câncer depois de 25 anos de casamento. Ele ficou tão triste com a perda que transformou isso em misantropia, decidindo usar seu cansaço da vida como uma forma de fazer o que quiser e falar a todos exatamente o que pensa e, quando se cansar de tudo, se matará.

“After Life” parece que Gervais encheu um caderno de tudo que mais odeia – ele é esse tipo de cara – e depois criou um personagem com uma desculpa socialmente aceitável para expressá-los.

Tony conhece uma sucessão de pessoas que merecem ser ouvidas por sua acidez e raiva, deixa eu elencar alguns: colegas de trabalho desleixados e malucos; um garoto valentão da escola; um desfile de personagens com excesso de peso; seu terapeuta estúpido; as pessoas da cidade sombria que ele perfila para escrever matérias estranhas para o jornal; um carteiro preguiçoso. Todo mundo precisa ouvir o que Tony tem para falar.

Parece que o mundo é rodeado de pessoas estúpidas e o Tony é o Juiz que julgará todos eles. Na verdade, ele usa a armadura do luto para fazer isso. Há uma emoção transgressora em como Tony perfura sutilezas irracionais. Existe um momento na série que uma senhora de 93 anos ficou com trauma por causa de uma violência que sofreu e ele simplesmente responde como uma pessoa que terá no máximo sete anos de vida ainda pode sofrer com algum trauma na vida?

Mas será que Tony é esse poço sem fundo de maldade? Evidente que não, descobrimos através de sua falecida esposa, Lisa (Kerry Godliman), que gravou uma série de vídeos nos últimos dias para ajudá-lo a seguir em frente sem ela.

Lisa, era incrível, tanto que ela não parece real. O casamento deles é descrito como uma alegria consumidora, como se quisesse ressaltar que Tony não está vivendo um simples luto, mas um luto para a vida toda. Mas a série não apenas sobre Tony.

“After Life” está cheio de personagens mal desenhadas que existem para nos dizer repetidamente que Tony e nós somos pessoas boas: uma viúva sagaz, uma nova colega de trabalho de olhos arregalados, uma prostituta (profissional do sexo) de bom coração e uma enfermeira gentil no lar de idosos (interpretada pela atriz Ashley Jensen) – uma personagem importante que, no entanto, é tão subdesenvolvida que é identificada nos créditos simplesmente como “Enfermeira”. Porque a ideia é essa. O mundo é criado e feito por pessoas normais e que por incrível que pareça, a maioria gosta de ser boa socialmente.

E falando no elenco, existem estrelas da comédia britânica em todos os episódios. É um ponto forte e positivo que vale a pena assistir.

Os melhores momentos de “After Life” vêm quando o Rick bom com o Rick ruim trabalham juntos. As visitas de Tony a seu pai (David Bradley), perdidas em um devaneio senil de lembranças sujas, são obscenas e delicadas, e Gervais faz algumas de suas melhores atuações dramáticas. Mas o arco redentor de Tony constrói uma epifania muito parecida com a do Scrooge naquele conto de natal, que é telegrafada demais para ser ruim e repentina demais para parecer genuína.

Mas Gervais está tentando algo novo, eu consegui assistir as duas temporadas apenas numa manhã. O bom de séries inglesas é, que eles fazem pequenas, média de seis episódios com meia hora cada. “After Life” faz a gente se interrogar sobre a visão de mundo e o que ele se tornou. No fundo ele só quer explicar que só porque você está ofendido ou é ofensivo, isso não significa que você está certo.

A série defende a empatia, algo que as pessoas costumam chamar de “politicamente correto” quando isso afeta seu estilo ou que você pensa. Ainda acho que Ricky Gervais sem graça, mas After Life é fácil de entender, rir e até se emocionar.

After Life está disponível na Netflix.

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PikachuSama
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