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Resenha | Impéryo vol. 01 (Dan Slott, Al Ewing & Valerio Schiti)

Impéryo é mais uma mega saga de super-heróis Marvel. É genérica? Sim, mesmo com algumas ideias boas e um sentimento de nostalgia, pois resgata a mitologia dos Vingadores da década de 1970, tratando de temas como as raças alienígenas Kree e Skrulls, e a guerra entre esses povos, além de ser diretamente ligado à saga da Madona Celestial.

Hulkling arte
O imperador Hulkling une as raças antagonistas Kree e Skrull. E seu primeiro ato é declarar guerra à Terra.

Impéryo é a mega saga de 2020 da Marvel que chega agora ao Brasil pela Panini. Com o intuito de reunir os heróis da terra contra mais uma invasão alienígena, o título é escrito por Dan Slott e Al Ewing.

E já vamos entrando em um assunto que me incomodou bastante: era para ser uma saga dos Vingadores e do Quarteto Fantástico, porém, o destaque aqui é pra equipe de Homem de Ferro, Capitão América e Thor, deixando os quatro fantásticos como figurantes de luxo ou pior, mero pano de fundo. Isso é muito frustrante.

Arte do Quarteto Fantástico
Após alguns anos com o título cancelado e sendo ignorado pela própria Marvel por conta de direitos autorais nos cinemas, o Quarteto Fantástico retornou para o universo tradicional Marvel. Infelizmente, com roteiros fracos e nada marcantes. E Impéryo só demonstra essa fase sem sal da equipe.

E a decepção quando se fala em Impéryo não ocorre só por conta do roteiro da trama, que é difícil de empolgar. Pois se dá, também, por causa dos desenhos sem brilho. Nesse primeiro volume, temos dois especiais para contextualizar a história (sendo a primeira a melhor, disparada!) e, quando a saga começa mesmo, na metade da edição, os desenhos de Valerio Schiti estão genéricos e preguiçosos.

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Uma pena, pois Schiti é um bom desenhista, mas tudo parece cansado em Impéryo, mesmo com algumas boas abordagens, como o futuro da aliança Kree/Skrull e o impacto em seus soldados.

Arte de Valerio Schiti
Os desenhos estão sem brilho, infelizmente, o que faz mal para uma mega saga de uma editora, que funciona como um grande filme blockbuster em vendas e divulgação no seu ano de lançamento.

É uma dupla frustração, pois a hq tem no roteiro Al Ewing, que está dando um show em O Imortal Hulk para a Marvel. Se esperava mais dessa dupla (Ewing e Schiti) de criadores.

Dan Slott também co-escreve Impéryo, porém, com a atual fraquíssima fase do Quarteto Fantástico, não se esperava nada de espetacular vindo dele. E não veio mesmo, levando em consideração esse começo da história.

E uma coisa é bom comentar: não mostrem essa edição para os fundamentalistas religiosos de plantão, pois o casal gay Hulkling, em especial, e Wiccano são o centro da história em parte dessa saga. O mesmo casal gay que fez com que o ex-prefeito do Rio de Janeiro desse um surto de pelanca e mandasse recolher o quadrinho dos Jovens Vingadores.

Hulking e Wicano
Faz tanto tempo que a Marvel não dá destaque aos Jovens Vingadores nos quadrinhos que recebemos atualização a jato na segunda edição do Volume 01 de Impéryo.

A edição da Panini está muito boa neste formato que adotou para suas revistas mensais, mesmo este sendo um título especial. Um editorial contextualizando tudo, capas originais e extras e os créditos dos autores preenchem a edição. É um material que encareceu a vida do leitor de quadrinhos? Sim, mas não se pode falar que não é mais prático ler mega sagas logo em encadernados que terão menor número (só 3, aqui).

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Resumindo, a impressão do volume 01 que Impéryo passa é de tédio e de uma saga cansada já em seu nascimento. O que torna tudo mais decepcionante, pois os autores envolvidos realizam histórias que se destacam.

Capa do volume 01 de Impéryo.

Ficha Técnica

  • Capa cartão, com 120 páginas;
  • Editora Panini;
  • Lançamento em março de 2021;
  • Preço de capa: R$ 22,90;
  • Tamanho: 17 x 26 cm.
Thiago de Carvalho Ribeiro. Apaixonado e colecionador de quadrinhos desde 1998. Do mangá, passando pelos comics, indo para o fumetti, se for histórias em quadrinhos boas, tem que serem lidas e debatidas.