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Resenha | A Espada Selvagem de Conan nº 01

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Com o lançamento da primeira edição de A Espada Selvagem de Conan, título capitaneado pela Marvel Comics nos EUA depois de anos  dos direitos do personagem com Dark Horse, o cimério criado por Robert E. Howard passa a ter duas revistas periódicas no Brasil, mostrando a sua boa fase. É uma pena que o texto de Gerry Duggan não empolgue o leitor como deveria, sendo salvo pela ótima arte de Ron Garney.

 

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Três livros publicados pela editora Pipoca & Nanquim. Coleção com 75 volumes pelas editoras Panini e Salvat, republicando as histórias clássicas da Marvel. Várias publicações da fase da editora Dark Horse pela editora Mythos. E, agora, dois títulos bimestrais com as histórias inéditas pela Marvel, sendo publicados no Brasil pela editora Panini.

Não resta mais dúvidas, porém, sempre é bom frisar que Conan vive um momento de renascimento no mercado brasileiro como poucos personagens experimentaram. E isso é merecido, haja vista a qualidade das histórias que o cimério possui, seja na literatura, seja nos quadrinhos desde a década de 1970.

Mas, com tantos títulos a disposição do leitor, deve o mesmo saber o que é bom e o que é duvidoso, se quer selecionar bem onde investir seu suado dinheiro.

E é uma pena A Espada Selvagem de Conan, por Gerry Duggan e Ron Garney, não começar tão bem como deveria, ou como a dupla Jason Aaron e Mahmud Asrar começou em Conan, o bárbaro.

 

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Não me entendam mal. A edição que chegou às bancas pela Panini não é ruim. Longe disso. Ela apenas apresenta uma história muito corrida, com um roteiro que abusa da força de Conan e que, ao chegarmos ao final, funciona mais como um prelúdio do que uma história propriamente dita.

Encontramos Conan, em sua fase pirata, naufragado no mar. Após 5 dias sem bebida e com uma insolação violenta, o cimério é resgatado por uma tripulação de piratas. Lutando pela sua vida e liberdade, Conan encontrará um tesouro guardado por um monstro, o qual dará início à sua nova aventura.

O escritor Gerry Duggan é conhecido na Marvel por escrever histórias cheias de ação e com senso de humor, tendo escrito Deadpool por anos. E, apesar de não ter nenhuma história digna de fama ainda, é visto como uma promessa no filão de roteirista da editora.

Só que, nesse primeiro volume, Duggan extrapola a força que Conan tem e toma liberdade criativas que deixam os leitores de cabelo em pé. Para citar exemplos, após ser resgatado, sofrendo de insolação, em pouco tempo o cimério já está a postos para fugir e enfrentar toda a tripulação do navio, quebrando até mesmo barras de ferro. É algo que não estraga a leitura, mas pode causar estranhamento ao leitor mais atendo.

E por falar em leitor atento, os fãs da criação de Robert E. Howard tomarão um susto ao ver piratas com armas de pólvora. Quem conhece a Era Hiboriana, sabe que isso é impossível, ou questionável. Mas volto a repetir, o fato não estraga a leitura, apenas incomoda o leitor que já é experiente na mitologia de Conan.

 

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Porém, se a trama de Duggan torna a leitura excessivamente rápida, Ron Garney, veterano desenhista dos quadrinhos, segura o interesse do leitor. Com as cores de outro veterano, Richard Isanove, o traço de Garney lembra muito o que Joe Kubert fez quando assumiu Tarzan.

Cheio de movimento e com cores que realmente passam a sensação de estar a esmo no mar, os desenhos são o ponto alto dessa edição.

Ou seja, se o roteiro serve apenas como um prólogo do que virá, o desenho mantém seu interesse e faz com que o leitor queira continuar com esse título, que é bem chamativo, devido à capa do famoso artista Alex Ross.

 

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Devido à capa (e a fama do personagem), essa primeira edição de A Espada Selvagem de Conan é bem chamativa para novos leitores, tendo a Panini caprichado, apesar de dois pequenos escorregões.

O primeiro diz respeito a uma propaganda de uma publicação de Jessica Jones logo antes de começar a história. Não há problemas em colocar propagandas em gibis, principalmente da própria editora, Mas é inegável que o local onde está a propaganda vem logo depois do título da história e antes da trama em si, ficando bem estranho, já que não há outras propagandas nessa edição.

O segundo ponto é a falta do nome dos artistas que desenharam as capas alternativas colocadas ao final. É uma coisa pequena, e que pode ser consertada no futuro, mas que mostra que a edição ainda precisa melhorar.

A edição da Panini ainda tem o conto em 12 partes escrito por Scott Oden, chamado A Sombra da Vingança. É louvável a disposição da Marvel (e da Panini ao publicar aqui) a iniciativa de expandir a mitologia de Conan para além dos quadrinhos, devendo a posteridade julgar se essas histórias no futuro serão compiladas e lidas por mais fãs da criação de Howard.

 

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Com uma trama muito rápida, servindo apenas de prólogo do que virá, e com algumas liberdades criativas questionáveis, em especial quanto à força de Conan, essa edição da Panini, que conta com pequenos deslizes, de A Espada Selvagem de Conan fisga o leitor realmente pelos desenhos.

 

 

Ficha Técnica

  • Capa Brochura, com 44 páginas
  • Editora Panini
  • Lançamento em outubro de 2019
  • Preço de capa: R$ 9,90
  • Tamanho: 17 x 26 cm
  • 6/10
    Roteiro - 6/10
  • 9/10
    Desenhos - 9/10
  • 7/10
    Narrativa - 7/10
  • 8/10
    Edição Nacional - 8/10
7.5/10

Summary

À deriva no mar. Sem alimento. Sem nenhuma arma. A morte à espreita. Porém, o coração de Conan não pode ser subjugado tão facilmente, por Crom! O Cimério de Bronze se vê resgatado pela tripulação de um navio pirata. uma embarcação que guarda sombrios e terríveis segredos que farão com que Conan mergulhe na caça a um tesouro que pode se provar ser a sua perdição!

Uma nova era se inicia com A ESPADA SELVAGEM DE CONAN, o segundo título bimestral do Cimério, trazendo uma aventura recheada de perigos e feitiçaria pelas mãos de Gerry Duggan (DEADPOOL, GUERRAS INFINITAS) e Ron Garney (DEMOLIDOR, THOR: DEUS DO TROVÃO), com capas do incomparável artista Alex Ross.

Thiago Ribeiro
Thiago de Carvalho Ribeiro. Apaixonado e colecionador de quadrinhos desde 1998. Do mangá, passando pelos comics, indo para o fumetti, se for histórias em quadrinhos boas, tem que serem lidas e debatidas.