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Dica de leitura | Conan, o Bárbaro de Jason Aaron e Mahmud Asrar

Após 15 anos sendo publicado pela Dark Horse nos EUA, Conan volta para a Marvel em uma saga do roteirista Jason Aaron e o desenhista Mahmud Asrar que atravessa toda a vida do cimério criado por Robert E. Howard.

 

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No momento que escrevo esse texto, as bancas e livrarias do Brasil já receberam as duas primeiras edições da nova fase de Conan, o bárbaro. Pode-se dizer que essas edições estavam cercadas de interesse por parte dos leitores, já que significavam muitas mudanças para Conan.

Em primeiro lugar, era o retorno para a Marvel Comics depois de 15 anos de publicações pela editora Dark Horse, tendo sido publicadas 240 edições, entre mensais e especiais como Rei Conan, por esta. Foi uma fase que, mesmo não tendo a fama que merece, teve um cuidado especial ao publicar cronologicamente a vida de Conan, devido ao esforço do escritor Kurt Busiek ao adaptar os textos de Robert E. Howard.

Sim, Conan surgiu na literatura, como os 03 volumes da editora Pipoca e Nanquim, que contem todo o material original do personagem, comprovam.

Mas, apesar de servi como base e origem das histórias de espada e magia, gênero fantástico da literatura, Conan só veio a conquistar o grande público quando foi para os quadrinhos na década de 1970 na Marvel.

Por isso o grande entusiasmo dos fãs, já que a casa de Homem-Aranha e Vingadores voltaria com um de seus personagens mais famosos, e pelas mãos de um roteirista gabaritado que faz história com sua passagem pelo Poderoso (ou seria Indigno) Thor, Jason Aaron.

 

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Desenho de Mike Deodato Jr. para promover o retorno de Conan à Marvel.

O segundo ponto de interesse dos fãs é sobre como seria a publicação do personagem no Brasil, já que, enquanto esteve na Dark Horse, Conan era publicado pela editora Mythos, tendo feito um bom trabalho ao trazer várias publicações do cimério.

Foi um longo período na casa de Tex e Bonelli. Então, a ida do personagem para à Marvel significava que Conan seria publicado pela Panini, detentora dos direitos da Casa das Ideias e da DC em terras tupiniquins.

E quando falamos em publicação pela Panini Comics de Conan no Brasil estamos falando que o material será todo feito pela editora italiana no país.

Para quem conhece como funciona o mercado de hqs, sabe que a própria Mythos realizava a parte editorial dos títulos Panini há mais de uma década. Aqui, nas duas edições já em bancas, não. A Panini assumiu 100% o controle sobre Conan, o que já gera um interesse maior em acompanhar os títulos do personagem.

A resposta sobre como seria a publicação no país veio cheia de novidades. Inicialmente, o personagem teria duas revistas mensais (Conan, o bárbaro e Espada Selvagem de Conan). Depois, a Panini anunciou que fez uma parceria com a editora Salvat e as duas trariam a coleção de encadernados A ESPADA SELVAGEM DE CONAN, coleção que só teve 04 volumes impressos anteriormente.

 

A Espada Selvagem de Conan

 

O leitor que acompanhou o texto até aqui já percebeu que temos uma avalanche de títulos nas bancas e lojas especializadas envolvendo a criação de Robert E. Howard. 03 livros da editora Pipoca & Nanquim, dois títulos mensais pela Panini e a coleção em parceria com a Salvat. Sem falar nos títulos Conan Rei ainda sendo publicados pela Mythos.

Mas o que faz o personagem tão famoso e cativante, disputado por várias editoras e presente no imaginário popular graças aos quadrinhos e, em muito, ao filme protagonizado por Arnold Schwarzenegger na década de 1980?

A resposta, para os leitores novatos e os veteranos, pode ser encontrada no título escrito por Aaron!

 

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Você percebe que o autor tem um plano lendo essas duas edições já lançadas no Brasil. Ele planeja contar uma história que vai desde a juventude do personagem até seus últimos momentos de vida como rei da Aquilônia, por isso a saga se chamar A VIDA E A MORTE DE CONAN.

Nesse percusso, como nos mostra a edição 02 de Conan, o bárbaro, Aaron nos mostrará histórias que funcionam fechadas em si, mesmo tendo um fio narrativo oculto. E esse fio que conduz a trama são a Feiticeira Rubra e seus filhos, que estampam a capa da primeira edição, e são os principais antagonistas nessa jornada, no primeiro momento.

Aqui vale uma observação. Aaron vem escrevedo Thor na Marvel e usou a mesma ferramenta narrativa ali, utilizando o jovem Thor, o deus do presente e o Rei Thor. Então, pode o leitor estranhar essa repetição de temáticas aqui sendo utilizada em outro personagem. Mas isso logo passa devido à qualidade do texto.

Aaron entendeu Conan. Pra falar melhor: Aaron entendeu Conan na Marvel. Diferente da publicação na Dark Horse que seguia uma ordem cronológica das aventuras do cimério, na Marvel, graças a autores como Roy Thomas, o personagem na maioria das vezes tinha histórias episódicas, se fechando em si.

Então, ao adotar uma trama maior, mas capítulos individuais, o roteirista junta o que foi publicado anteriormente na editora com suas novas histórias.

 

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O Rei Conan na nova fase da Marvel.

E o respeito com o passado do personagem na Marvel pode ser visto logo nas primeiras páginas da primeira edição, quando somos apresentados a uma página dupla com vários momentos do personagem na editora, com desenhos de várias lendas, como John Buscema, além claro da clássica abertura das Clônicas Nemêdias, que reproduzimos aqui para mostrarmos o quanto é épico ler Conan.

 

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“Saiba, ó principe, que entre os anos em que os oceanos tragaram Atlântida e os anos em que se levantaram os filhos de Aryas, houve uma era inimaginada repleta de reinos esplendorosos que se espalharam pelo mundo como miríades de estrelas sob o manto negro do firmamento. Nemédia; Ophir; Britúnia; Hiperbórea; Zamora, com suas lindas mulheres de cabelos negros e suas torres repletas de terror e mistério; Zingara, com a nobreza; Koth, que fazia fronteira com as terras pastoris de Shem; Stygia, com suas tumbas protegidas pelas sombras; Hirkânia, cujos cavaleiros ostentavam aço, seda e ouro. Não obstante, de todos, o mais orgulhoso foi o reino da Aquilônia, que dominava supremo no delirante oeste. Para cá veio Conan, o cimério de cabelos negros, olhos ferozes, mão sempre crispadas sobre o cabo de uma formidável espada pronta a ser brandida em luta, saqueador, ladrão sagaz, pirata, assassino frio com gigantescas crises de melancolia e não menores fases de alegria, para humilhar sob seus pés os frágeis tronos da Terra.”
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As capas da edição ficarão por conta de Esad Ribic.

 

Mas e os desenhos? Entregam uma experiência tão boa quanto a dos clássicos, como os feitos por John Buscema na Marvel e Cary Nord na Dark Horse?  São tão bons quando o texto que está nas paginas dessa nova saga de Conan?

Os leitores podem ficar tranquilos quanto a isso. O desenhista Mahmud Asrar dá conta do recado, com painéis ágeis, essencial para manter a ação, e expressões faciais muito boas, demonstrando toda a fúria que seu protagonista tem que ter.

 

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As duas edições da Panini estão ótimas. Com o uso do novo papel com gramatura maior e as capas cartonadas, os dois números de Conan, o bárbaro dão prazer ao lê-los. Cheios de capas extras e com um conto em 12 parte chamado A Luz Estelar Negra, de John C. Hocking, o título do cimério pulou para o topo da fila de leituras do mês devido à sua qualidade, fazendo-nos ficar ansiosos pelos próximos volumes e pelo lançamento de A Espada Selvagem de Conan, segundo título mensal dessa nova fase da Marvel a ser lançado pela Panini.

Os deuses parecem estar sorrindo para o cimério e mostrando novamente o caminho do sucesso, mesmo que Crom, divindades que os cimérios adoram (temem), seja implacável.

 

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Por isso, fã de Conan, você que está com medo porque a Marvel tem usado o personagem nos Vingadores e dado até uma versão 2099 para ele, não se preocupe. Aqui está seu título “raiz”, onde você poderá acompanhar uma grande saga de vida e morte de Conan, sendo agraciado com contos isolados pelo caminho. Tudo no estilo Marvel.

Thiago Ribeiro
Thiago de Carvalho Ribeiro. Apaixonado e colecionador de quadrinhos desde 1998. Do mangá, passando pelos comics, indo para o fumetti, se for histórias em quadrinhos boas, tem que serem lidas e debatidas.