Terça, 18 De Dezembro De 2018

Anuncie Aqui!

Cangaço Overdrive | Conheça a nova HQ do Cearense Zé Wellington!

Editora Draco

Com vocês, Zé Wellington:
Ol√°, ol√°!
A lista tá atrasando pra que meus quadrinhos novos não atrasem. Por falar neles, apresento a vocês Cangaço Overdrive, minha nova graphic novel(uiuiui). O quadrinho já está a venda nos links abaixo:

Mas como surgiu essa ideia maluca? Eu escrevi algumas curiosidades sobre a HQ logo abaixo.

Nordeste feelings

‚ÄčAo que parece,¬†Canga√ßo Overdrive¬†√© minha primeira HQ longa que vem de uma ideia original minha. Digo isso por que¬†Quem Matou Jo√£o Ningu√©m?¬†foi constru√≠da a partir de uma ideia do Wagner Nogueira (que revisou o roteiro inteiro e fez diversas sugest√Ķes) e¬†Steampunk Ladies¬†partiu de uma ideia do Di Amorim (ainda que eu o tenha convencido a seguir caminhos diferentes).
Em 2006 ou 2007 eu trouxe o desenhista¬†Walter Geovani¬†para um evento em Sobral, cidade onde nasci. Como quaisquer quadrinistas que passam algumas horas conversando, em algum momento discutimos sobre fazer um quadrinho com cangaceiros. Ele me falou sobre uma passagem de¬†Lampi√£o, conhecido como o ‚Äúrei do canga√ßo‚ÄĚ, pela sua cidade, Limoeiro do Norte. Mas o Geovani sempre esteve muito ocupado no mercado americano durante esses anos e nossa conversa entrou em¬†stand by¬†logo depois que nos despedimos. Alguns anos depois, comecei a amadurecer a ideia de fazer uma hist√≥ria no mesmo naipe da anima√ß√£o¬†Samurai Jack, que tem como principal plot colocar um samurai tradicional num ambiente futurista. Sem nem lembrar da conversar com o Geovani, me pareceu natural que, se eu fizesse algo assim, teria de ser com um cangaceiro. Na √©poca compartilhei essa ideia com o desenhista Wescley Braga e ele chegou a fazer alguns estudos para o personagem principal, que j√° se chamava¬†Cotiara. A ideia era fazer uma s√©rie de tirinhas, num tom mais c√īmico (como¬†Samurai Jack) e que tivesse alguma continuidade (ao estilo¬†Terry e os Piratas, do¬†Milton Caniff). Nunca consegui parar para escrever os roteiros e o Wescley acabou iniciando uma carreira nas artes pl√°sticas e o projeto parou por a√≠. Antes de decretarmos a morte dele eu j√° tinha escolhido o nome:¬†Canga√ßo Overdrive.
Quando divulguei como se chamava minha pr√≥xima HQ e que ela seria cyberpunk, a galera DELIROU nesse nome e pensou no √≥bvio, que o t√≠tulo era uma homenagem √†¬†Monalisa Overdrive, o terceiro livro da¬†Trilogia do Sprawl(eu falei sobre ela no texto anterior). Mas essa primeira tentativa de tirar a HQ do papel com o Wescley aconteceu h√° mais de dez anos e na √©poca o √ļnico livro que conhecia do William Gibson era¬†Neuromancer¬†(e que eu ainda nem tinha lido). O nome Canga√ßo Overdrive foi inspirado pelo √°lbum ‚ÄúSeca distorcida‚ÄĚ, da banda de hardcore cearense¬†Jumentaparida. Substitu√≠ o ‚Äúseca‚ÄĚ por ‚Äúcanga√ßo‚ÄĚ e ‚Äúdistorcida‚ÄĚ por ‚Äúoverdrive‚ÄĚ, tamb√©m com uma banda de hardcore na cabe√ßa, no caso os paulistas do¬†Aditive, que tinham uma m√ļsica que eu gostava muito chamada¬†C√Ęncer overdrive.
Acho que foi no final de 2015, com um edital de cultura abrindo no Governo do Estado do Cear√°, que perturbei o Geovani para fazermos algo juntos. Ele foi logo dizendo que ‚Äúpoderia ser aquele projeto com cangaceiro que conversamos‚ÄĚ. Ao cavucar minhas anota√ß√Ķes procurando algo j√° iniciado, encontrei¬†Canga√ßo Overdrive¬†e decidi usar o plot principal. Mas, para aproveitar melhor o estilo de desenho do Geovani, n√£o dava para ser tira e nem c√īmico. E assim o projeto come√ßou se tornar um leg√≠timo¬†cyberpunk, com todos os seus pessimismos.
Essa √© tamb√©m minha primeira hist√≥ria longa que se passa no nordeste. Mesmo entre as curtas, agora de cabe√ßa eu s√≥ me lembro de uma hist√≥ria de quatro p√°ginas que escrevi para o¬†Capit√£o Rapadura. Depois de contar uma hist√≥ria numa favela e de um faroeste com protagonistas femininas, esse deveria ser o meu trabalho mais f√°cil, por ser um tema mais pr√≥ximo da minha viv√™ncia.¬†Mas n√£o foi bem assim. Na primeira vers√£o da hist√≥ria que mandei para a Draco, o meu editor Raphael Fernandes estranhou a falta de express√Ķes e g√≠rias nordestinas. Eu at√© tentei nessa primeira vers√£o, juro. Mas provavelmente por todo esse tempo da minha vida absorvendo quadrinhos (e outras coisas) vindas ou de outros pa√≠ses ou do eixo Sul-Sudeste, tudo que eu fazia parecia extremamente¬†fake¬†artificial. Mas nada que uma imers√£o em obras nordestinas n√£o resolvesse. E a√≠ apareceu a¬†literatura de cordel.
Imerso nessas publica√ß√Ķezinhas, parecia (e acho que √© mesmo) uma √≥tima ideia usar cordel na HQ. E eu decidi: a narra√ß√£o ser√° em cordel, rimadinho e quase independente da HQ, mesmo que integrada a ela. P√ī, no meio da HQ eu j√° tinha me arrependido dessa ideia, mas v√° l√°, a ideia parecia (parecia n√£o, era mesmo!) muito boa. E me orgulho muito de ter virado cordelista por um ano. Penso, inclusive, em fazer mais isso. Veremos.
Duas figuras nordestinas s√£o fortes influ√™ncias para este trabalho:¬†Chico Science¬†e¬†Patativa do Assar√©. O primeiro veio de uma provoca√ß√£o do Raphael Fernandes: ‚Äúescuta¬†Na√ß√£o Zumbi, vai ajudar nos di√°logos‚ÄĚ. Na real, n√£o tinha como Na√ß√£o Zumbi ajudar TANTO assim com os di√°logos. Eles s√£o de Recife e, ainda que haja muitas similaridades, cearenses e pernambucanos t√™m jeitos de falar bem diferentes. Mas a√≠ l√° fui eu revisitar o √°lbum ‚ÄúDa lama ao caos‚ÄĚ e‚Ķ¬†BUM! Eu nem sabia, mas estava fazendo quase uma adapta√ß√£o para quadrinhos do √°lbum. Toda a verve pol√≠tica que eu procurava tinha sido escrita pelo Chico no √°lbum em 1994, especialmente nas m√ļsicas¬†Mon√≥logo ao p√© do ouvido,¬†Banditismo por uma quest√£o de classe,¬†Rios, pontes e overdrives¬†(overdrive¬†de novo!) e¬†Da lama ao caos. Sobrou pra minha esposa e filhas ouvir durante seis meses Na√ß√£o Zumbi quase 24 horas por dia…
E sobre o segundo‚Ķ Eu n√£o sei quantos que est√£o lendo esse texto conhecem o Patativa. Nascido em 1909, em Assar√©, cidade com pouco mais de 20.000 habitantes do sul do Cear√°, o cara foi provavelmente um dos maiores poetas populares do estado. Eu conhecia bem superficialmente sua hist√≥ria. Cego de um olho e com uma alfabetiza√ß√£o irregular, Patativa criava e declamava suas poesias (normalmente na m√©trica do cordel) de cabe√ßa. O que eu n√£o conhecia sobre Patativa era o seu lado pol√≠tico e ativista, bem vis√≠vel em pedradas como¬†Reforma agr√°ria √© assim…. S√©rio, procurem pelo trabalho dele, especialmente declamado de sua pr√≥pria voz.¬†E o document√°rio sobre ele do Rosemberg Cariry √© √≥timo.
Na verdade toda a cultura popular nordestina merece ser visitada constantemente. Se Cangaço Overdrive serviu pra que eu percebesse isso, espero que sirva para vocês também.

x x x
(Divulgação)
Manhtenham-se firmes!

Zé Wellington
www.zewellington.com

Quem é PikachuSama

Editor de Contéudo deste site. Eu não sei muita coisa, mas gosto de tentar aprender para fazer o melhor.

 

  

Posts Relacionados
%d blogueiros gostam disto: