Segunda, 17 De Setembro De 2018

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Um Pequeno Assassinato – a obra existencial de Alan Moore

Um Pequeno Assassinato √© uma Graphic Novel escrita por Alan Moore e desenhada pelo argentino Oscar Zarate¬†publicada no Brasil pela editora Pipoca e Nanquim. O livro conta a hist√≥ria de Timothy Hole, um publicit√°rio que tem o desafio de preparar uma campanha de refrigerantes de marca americana para o consumidor russo. Al√©m dos problemas no trabalho , ele descobre que a sua rela√ß√£o poderia tomar um ar bem complicado, com a gravidez da sua companheira. Em meio √†s diversas d√ļvidas que permeiam a sua mente, um estranho garoto o observa ao longe, uma crian√ßa que aparece e desaparece em diferentes lugares e por mais que procure, ele n√£o consegue encontr√°-la.

 

Quando eu peguei para ler, logo me veio a mente de que eu iria ler uma investigação policial, mas pelo enredo que eu apresentei acima, isso não está presente inicialmente. Após começar a ver que a história não se resumia ao título, um outro aspecto me impactou: a intensidade das cores. Um Pequeno Assassinato deve ser visto de duas formas, o enredo que vai lhe envolvendo e a arte pintada que traz em si diversos elementos narrativos além da beleza dos desenhos.

 

Eu percebi que a intensidade das cores estava associada ao ritmo frenético da cidade com pessoas falando uma diversidade de assuntos. Na narrativa, Zanate utiliza das cores para destacar acontecimentos dentro dos quadrinhos. Além disso, a arte em si traz diversas referências, infelizmente meu escasso conhecimento em arte moderna não me permite identificar tudo, por outro lado, isso mostra o quanto essa obra merece ser relida ao passar dos anos quando (espero) a minha bagagem cultural esteja ampliada.

Além de um ótimo desenho as cores contribuem na expressividade

 

O roteiro traz elementos introspectivos, Moore descreve os pensamentos de Timothy mudando rapidamente entre os assuntos, a gente sente a perturba√ß√£o com o personagem e como os problemas nos diversos aspectos parecem se mesclar. A profundidade com que isso √© feito d√° a impress√£o de que a gente conhece o personagem, as suas inseguran√ßas, as suas d√ļvidas e a forma como ele v√™ o mundo gerando no leitor momentos de simpatia ou de repulsa por esse personagem. A obra traz diversos elementos que eu n√£o citarei j√° que esse texto al√©m de dar uma opini√£o n√£o pretende estragar a leitura de quem ainda n√£o leu. Essa √© uma obra que rende discuss√Ķes e textos sobre os diversos elementos ali presentes do in√≠cio ao fim. Ao ler, comecei a refletir sobre a minha vida, uma sensa√ß√£o interessante que poucas obras propiciam. Ainda que o enredo n√£o seja em si aut√™ntico, acredito que √© poss√≠vel trazer ao p√ļblico ideias j√° existentes de outras formas, desde que a gente se identifique com a maneira como isso √© feito. Foi exatamente isso o que ocorreu, mesmo n√£o sendo ¬†um publicit√°rio, as reflex√Ķes que a situa√ß√£o propicia a Timothy me fez compreend√™-lo e a sentir as suas ang√ļstias.

 

Alan Moore √© conhecido por grandes obras como Monstro do P√Ęntano, a Liga Extraordin√°ria, Batman – a Piada Mortal dentre outros cl√°ssicos e pouco material ruim como Sapwn – Feudo de Sangue. Ap√≥s sofrer com a decep√ß√£o que as grandes editoras trouxeram durante a sua brilhante contribui√ß√£o ao universo dos super her√≥is tanto na Marvel quanto na DC, o autor brit√Ęnico resolveu fazer quadrinhos independentes e enveredar por uma outra tem√°tica. Essa obra se distancia dos her√≥is de colantes ou de um mundo fantasioso, Moore reflete sobre o quotidiano e as escolhas que nos tornaram o que somos e os sonhos que deixamos de lado. N√£o √© a toa que ela foi premiada com o pr√™mio Eisner como melhor Graphic Novel.

 

¬†A obra em si j√° √© √≥tima em si mas a edi√ß√£o brasileira consegue engrandecer a obra. Por essa e outras obras,¬†a Editora Pipoca e Nanquim ganhou esse ano o pr√™mio Hq Mix de Melhor Editora. O acabamento gr√°fico da obra √© lindo. A edi√ß√£o traz ao final uma entrevista que enriquece a leitura com a exposi√ß√£o dos autores sobre as ideias e como eles escolheram exp√ī-las, a arte e os textos tem o seu brilhantismo pr√≥prio e se comunicam de maneira diferente com uma grande sintonia entre eles. Eu preciso advertir que os extras precisam ser lidos na ordem apresentada no livro para n√£o estragar as surpresas. Quem conhece a obra de Moore, n√£o ir√° se decepcionar com essa obra, por√©m aqueles que pouco leram quadrinhos e gostam de uma obra reflexiva, estejam convidados a conhecer, por√©m gostaria tamb√©m de recomendar aos design gr√°ficos e todos aqueles que admiram uma bela arte aquarelada.

Um Pequeno Assassinato possui 118 p√°ginas coloridas em lombada quadrada com capa dura.

Quem é Maciel Resende

Sou psic√≥logo por profiss√£o e um nerd em tempo integral. Eu gosto de cinema, s√©ries, filmes, livros mas a minha paix√£o s√£o as hist√≥rias em quadrinho que est√£o presente em minha vida desde a inf√Ęncia. Atualmente cismei em querer escrever, opinando sobre essa minha paix√£o.

  

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