Não deixe de conferir nosso Podcast!

Dica de Leitura | Conan: Guerra da Serpente (Roy Thomas & Jim Zub)

Conan: A Guerra da Serpente é um bom quadrinho que nasce de um conto da década de 1970, escrito por Roy Thomas e desenhado por Gil Kane, e da ideia de juntar personagens criados por Robert E. Howard e o Cavaleiro da Lua, da Marvel.

Imagem promocional de Conan: a guerra da serpente
Conan, Dark Agnes e Solomon Kane. Criações de Robert E. Howard terão um encontro improvável com o Cavaleiro da Lua, em uma trama de viagem pelo tempo.

Assim como não podemos julgar um livro pela capa, julgar uma história pela premissa original, sem lê-la, também, é um erro. E, não vou negar, julguei a ideia de juntar vários personagens de Robert E. Howard, e o Cavaleiro da Lua, da Marvel, em uma só história algo sem pé e nem cabeça.

Como eu estava errado!

Primeiro, porque há toda uma homenagem à uma história da Marvel feita por Roy Thomas, Gerry Conway e Gil Kane na década de 1970, que, também, é uma adaptação a um conto de Howard. Sendo que ela é o fio condutor de todo o encadernado Conan: A Guerra da Serpente.

Imagem de Gil Kane
É louvável a Marvel, ao conseguir a licença de Conan de volta após quase 20 anos, fazer homenagem aos clássicos que ela mesma produziu com a obra de Robert E. Howard nos anos 1970.

Segundo, porque não é uma história só de Conan. E, sim, uma grande homenagem à produção literária de Howard, em especial, na figura do narrador, que além de ser o personagem original da história de 1970, é o próprio Howard.

Entendo o grande destaque ao nome de Conan, pela sua fama em relação aos outros personagens. Mas o cimério é mero coadjuvante aqui. O que importa é o todo. O que importa é a produção literária de Howard. E os fãs do escritor texano verão muitas citações que enriquecem o encadernado, como Solomon Kane e Dark Agnes.

E por ser uma obra em homenagem a Howard, a presença do Cavaleiro da Lua fica muito perdida na história. É um mero coadjuvante de luxo, mas não prejudica a história.

Arte de Scott Eaton
Ação, personagens clássicos e uma grande homenagem à produção de Robert E. Howard e a Marvel da década de 1970.

Outro ponto baixo são os desenhistas. Não que ele sejam ruins, mas, infelizmente, nenhum faz jus à grandiosidade da trama ou aos personagens. É uma pena uma história com tão bons capistas, como Carlos Pacheco, esteja com artistas de medianos para baixo na arte, como Scott Eaton, Stephen Segovia, Luca Pizzari e Ig Guara.

Arte de Carlos Pacheco
Se a arte tivesse ficado a cargo de apenas um desenhista ou até mesmo nas mãos de Carlos Pacheco, a identidade visual de Conan: A Guerra da Serpente seria bem melhor.

Se você é fã de Conan ou de Robert E. Howard, leia Conan: A Guerra da Serpente. Se o leitor caiu de paraquedas aqui, leia também, pois, apesar de não pegar nem 50% das referências, vai conhecer muitos bons personagens do começo da literatura capa e espada.

Capa de Conan: A Guerra da Serpente

Thiago Ribeiro
Thiago de Carvalho Ribeiro. Apaixonado e colecionador de quadrinhos desde 1998. Do mangá, passando pelos comics, indo para o fumetti, se for histórias em quadrinhos boas, tem que serem lidas e debatidas.