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Game of Thrones | The Last of the Starks, Resenha

Helen Sloan
Cersei e Euron em cena da Série Game of Thrones (HBO)

Rei da Noite foi derrotado, mas é Cersei que está causando o caos nos Sete Reinos.

Esta crítica contém spoilers da oitava temporada de Game of Thrones, episódio 4: “The Last of the Starks”. Para refrescar sua memória de onde paramos, leia na minha resenha de GoT S8, Episódio 3, “The Long Night”.

Primeiro, Dracays. Segundo, foi problemático escrever uma crítica equilibrada deste episódio, mas tentei de alguma forma não destilar tanto ódio sobre o que a HBO está fazendo com a última temporada de Game of Thrones.

De muitas maneiras “The Last of the Starks” é o mais sólido episódio de Game of Thrones que tivemos em muito tempo, cheio de maquinações políticas e esquemas sussurrados. Mas ele sofre das mesmas frustrações narrativas que atormentaram esta temporada (e, possivelmente, todas as temporadas desde que a série começou a superar os livros de George R. R. Martin).

É um tanto quanto realístico que mesmo os personagens mais “heroicos” e sensatos começam a cair na desconfiança e na paranoia quando há tanta história a ser contada (sem falar nos personagens que não são tão sensatos, como Cersei e Daenerys), mas ainda é enfurecedor que mesmo depois de tudo o que essas pessoas passaram e todas as coisas horríveis que viram, elas não podem deixar de lado suas diferenças e simplesmente tentar ver as coisas do ponto de vista do outro. Isso serve também para o nosso mundo e para as muitas guerras que surgiram por causa do orgulho de alguém.

Dracarys
Missandei (HBO)

Game of Thrones sempre adotou a noção de que o poder corrompe, e estamos claramente prestes a ver isso com o sangue de cada homem, mulher e criança em Porto Real. Cersei está obviamente preparada para usá-los todos como escudo humano, enquanto Daenerys está tão focada em seu objetivo e tão traumatizada por tudo o que perdeu (seus dois amigos mais próximos e dois de seus filhos) que está cega pelo ódio para parar e isso pode ter um dano colateral para ela. A morte de Missandei é particularmente um desperdício – sim, ela é a última sobrevivente do séquito de Dany que poderia provocar tal reação, e esse certamente era o objetivo de Cersei, mas a morte de Rhaegal deveria ter sido suficiente para catalisar a vingança de Dany. Além disso, basicamente permitir que Daenerys liberte seus instintos mais vingativos e destrutivos parece um pouco fora da personagem para uma mulher que viu o custo de tal violência (especialmente voltada contra os pobres e indefesos habitantes de uma cidade) por toda a sua vida.

A série, neste episódio, jogou nos holofotes que eles consideram essas duas “Mad Queens” lutando numa rinha de galo, onde a destruição mutuamente garantida parece ser o resultado mais provável. Mas o problema é que Daenerys disse que não veio a Westeros para ser “rainha das cinzas”. Então quem seria responsável para puxá-la de volta dessa ira vingativa? Será que Jon Snow ou Tyrion tem toda essa força sensata para isso?

Agora que os Caminhantes Brancos estão destruídos é impossível não lembrar da visão que Daenerys teve na Casa dos Imortais, neve caindo sobre o Trono de Ferro através de buracos abertos no telhado. E todo mundo pensando que isso seria um trabalho do Rei da Noite, mas agora pode ser que essa visão de destruição seja facilmente causada por fogo de dragão ou fogovivo, já que em “The Long Night” era impossível distinguir entre neve e cinza. Cersei simplesmente poderia explodir os esconderijos que ela fez dentro da cidade cheios de combustível (como o pai de Daenerys uma vez tentou fazer) numa pequena demonstração de “se eu não posso ter o trono, ninguém pode”. E, de certa forma, esse provavelmente seria o melhor resultado para todos pois quando Tyrion fala sobre o filho na barriga de sua irmã, Euron contou em sua cabeça que dois mais dois não eram três. Ele se mostrou inteligente todas as vezes que apareceu, um erro matemático tão simples não passaria batido na sua mente astuta.

Brindando a vitória contra a morte
Tormund, Jon Snow e Danenerys (Helen Sloan/HBO)

Mas o grande elefante branco do episódio foi a série se inclinando tão pesadamente e desajeitadamente para uma Mad Queen de Dany, eu ainda espero que a HBO nos ofereça uma reviravolta satisfatória nessa pesada prefiguração – de outra forma, quais eram as suas longas (e muitas vezes chatas) ações em Essos e tudo que ela passou e sofreu lá basicamente sozinha?

Daenerys pode ser estratégica quando precisa ser – legitimando Gendry como um verdadeiro Baratheon para assegurar sua lealdade –, mas também vemos como ela está solitária sem Jorah e os Dothraki ao seu redor. Para que serve tudo isso, se ela não tem o amor das pessoas ou de uma família que fique ao lado dela como Jon tem? De certa forma, parece que a série está preparando Dany para se sacrificar por Jon, percebendo que as necessidades do reino devem vir antes de seus próprios desejos. Igualmente provável que Varys seja a terceira traição que foi profetizada para Dany nos livros: “Três traições você terá: uma vez por sangue e uma vez por ouro e uma vez por amor.”. Varys fala que seu amor pelo reino superará qualquer lealdade a Dany. Então ela poderia ser a única a matá-lo (como Melisandre previu) depois que ele tentar assassiná-la antes do confronto final com Cersei?

Jon Snow homenageando os mortos da batalha
Jon Snow (Helen Sloan/HBO)

Varys e Tyrion não são os únicos planejando coisas para semana que vem. Não podemos culpar as irmãs Stark por quererem manter a ideia de que “o lobo solitário morre, mas o bando sobrevive”, especialmente considerando todos que tentaram separar sua família, mas ainda é exaustivo ver Jon Snow fazer os mesmos erros desastrosos que ele cometeu várias vezes no passado. Ele pode ser um homem de honra mas é um desastre quando ele coloca o coração na frente dos bois. Ao dizer a Sansa e Arya a verdade sobre sua identidade como Aegon Targaryen, ele prova o direito de Daenerys – Sansa imediatamente começa a tentar minar a reivindicação de Dany, e em sua mente, isso é provavelmente perfeitamente racional, dado tudo o que ela viu da Dragon Queen até agora.

Na minha terra chamamos o que aconteceu neste de episódio de “cobra comendo cobra”. Talvez o melhor resultado de ontem (e nesta temporada) seja que realmente não podemos mais dividir quem são os heróis ou vilões – Sansa e Arya têm nossa lealdade em virtude de serem Starks, mas o comportamento delas nesta temporada é de mulher manipuladora e mercenária igual Cersei, ao mesmo tempo que Daenerys parece estar se comportando como uma egoísta e insensível exatamente Sansa, Arya e Sam avisaram a Jon que ela seria. Os Starks podem não confiar nela, mas não era para tanto.

A família Stark moldando o futuro de toda Westeros
Os Starks (Helen Sloan/HBO)

Jon Snow pode ser o único personagem da série que tecnicamente tem suas mãos limpas, permanecendo fiel aos seus votos, mas sua ingenuidade também coloca em risco tudo o que ele ama – e aqueles que não aprendem com a história estão condenados a repeti-la? Ele viu o que a honestidade custou a Ned Stark e quando Daenerys diz a ele que algumas verdades são muito mais dolorosas e prejudiciais do que o custo de escondê-las, ele egocentricamente coloca sua honra e conforto acima de manter a paz. Mentir para suas irmãs faria ele se sentir culpado? Só porque ele é um líder relutante não significa que ele é mais qualificado do que Daenerys, quando ele não tem noção de como resolver problemas ou comprometer quando necessário.

Tywin Lannister disse certa vez que não é a santidade, a justiça ou a força que faz um bom rei mas a sabedoria – “um rei sábio sabe o que sabe e o que não sabe”. Às vezes, sabedoria significa conhecer um segredo – como Ned fez por toda sua vida para manter Jon vivo todos esses anos, com um grande custo para seu casamento e reputação.

Dessa forma, por mais frustrante que esse episódio pareça, talvez este seja um dos mais honestos das últimas temporadas para alguns – especialmente quando Jaime (mesmo depois de experimentar algo verdadeiramente puro e bom e saudável com Brienne) admite que ele é “tão ruim” quanto sua irmã Cersei é, e sai para enfrentá-la uma última vez. É um momento de partir o coração, mas apesar da redenção calorosa de Jaime ao longo das últimas temporadas, este é um sentimento verdadeiro para o personagem – é claro que ele não sente que merece o final feliz.

Brienne de Tarth, Podrick Payne, Tyrion Lannister e Jaime Lannister comemorando a batalha de Winterfell
Brienne de Tarth, Podrick Payne, Tyrion Lannister e Jaime Lannister (Helen Sloan/HBO)

A educada recusa de Arya à proposta de Gendry soa como um deja vu (ela há muito tempo disse a Ned “não sou eu” quando ele previu que ela um dia se casaria com um lorde) e é um retorno satisfatório ouvi-la dizer a Gendry o mesmo. Como sua loba Nymeria, ela precisa ser livre. Ainda tem um nome para riscar de sua lista, afinal.

“The Last of the Starks” ainda consegue piorar depois de tudo que falei acima. O uso de atalhos na trama foi bastante complicado de engolir. Sempre soubemos que fazer Lobos Gigantes nas cenas é caro (mas agora que Rhaegal e Viserion estão mortos, presumivelmente o orçamento caiu em dois terços), e ainda assim Jon Snow decide arbitrariamente que Ghost deve ir para o norte com Tormund, o coitado do animal perdeu um pedaço da orelha e praticamente seu dorso ficou em carne viva para seu mestre apenas se livra dele sem ao menos um toque de agradecimento pela batalha que ele travou? Os lobos eram uma parte muito importante nas primeiras temporadas da série, (e ainda são parte crucial dos livros de George RR Martin, graças à ênfase de A Canção de Gelo e Fogo nas habilidades Warks dos Starks) é triste vê-los tão marginalizados na série.Eu quase quero que Jon morra novamente apenas por tratar seu fiel companheiro tão mal.

Lobo Gigante Ghost
Ghost foi deixado de lado pelo seu mestre (HBO)

Por que Daenerys não voou por trás da frota do Euron onde não parecia haver balistas? Como os dragões não viram a frota do Euron a quilômetros de distância? O que diabos fizeram com o Bronn? A série está com tanta pressa para entrar em seu trecho final que esqueceram um copo de café em cena? É inadmissível que Dany tenha perdido outro dragão tão rapidamente, seu poder de fogo caiu tragicamente, a destruição dos Caminhantes Brancos e o desinteresse da série nos lobisomens, gigantes e lobos gigantes mostra que eles não gostam de magia.

Talvez seja apenas por causa da natureza do episódio truncado que as decisões de todos parecem muito mais extremas e pesadas do que costumavam ser, a série perdeu um pouco o senso de nuance que fez dessa obra da TV algo tão único e incrível. Precisamos ficar preparados e com expectativas abaixo da média para o próximo episódio.

Dany e sua vingança com Sangue e Fogo.
Vingança é um negócio que se come frio, mas acho que semana que vem teremos muito fogo e cinzas pelo ar (HBO)

Veredito

Este é o episódio de Game of Thrones mais político das últimas temporadas, e há algo imensamente satisfatório em voltar a todas as maquinações e maledicências que dirigiram as primeiras temporadas da série, mesmo que a oitava temporada tenha perdido toda a sutileza e nuance que costumavam ser uma marca da série. Há algo dolorosamente realístico em ver nossos personagens se transformarem nesse tipo de mesquinhez mesmo depois de encarar a encarnação literal da morte, mesmo assim desejamos que a série termine pelo menos de uma forma satisfatória. Mas minhas esperanças sobre isso são bem pequenas.

P.S: Agradecimento em rede nacional pela a Ana Karoline ter revisado o texto.

 

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