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Jeff Lemire e o Ciclo da Vida em “Apanhadores de Sapos”

O quanto nos reconhecemos agora na pessoa que fomos antes? Como amadurecer sem perder a própria essência? É possível resgatar nossa história antes que tudo seja apenas memórias levadas pelo vento? O canadense Jeff Lemire nos faz pensar e sentir certa melancolia conforme avançamos, ligeiros, nas páginas de “Apanhadores de Sapos” (Editora Mino, 112 páginas, R$ 69,90).

No princípio, encontramos um menino, a capturar sapos num córrego. Ele vislumbra algo sob as águas, que aos poucos toma a forma de um homem mais velho, despertando num quarto de hotel. Lá ele encontra o garoto do início, que o esconde do misterioso Rei Sapo. Não há grandes explicações, apenas o risco iminente. Afinal, qual mistério cerca o hotel? Seria o Rei Sapo um perigo real ou só fruto da imagem da criança?

Presente e passado se intercalam nessa trama que não demora a revelar-se ao leitor, com uma mensagem tocante. O traço de Lemire, rabiscado e com poucos retoques, pode causar estranhamento, mas evoca o delírio de um homem que se agarra aos resquícios de uma vida passada a limpo.

Arte interna do quadrinho “Apanhadores de Sapos”. Todos os direitos reservados à editora Mino.

“Apanhadores de Sapos” pode não se destacar como um grande trabalho do prolífico autor, mas merece atenção, pedindo uma leitura carinhosa.

Rafael Machado
Parnaibano, leitor inveterado, mad fer it, bonelliano, cinéfilo amador. Contato: rafaelmachado@quintacapa.com.br