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Crítica | “Chocolate” derrete seu cérebro, sua alma e sua paciência

Resenha crítica com spoiler de "Chocolate" um dos dramas mais complexos que assisti na Netflix. Recomendo a leitura!

Chocolate
Reprodução (Netflix)

Resenha crítica com spoiler de “Chocolate” um dos dramas mais complexos que assisti na Netflix. Recomendo a leitura!

Eu tenho quase certeza que assisti algum drama antes de “Chocolate” – sigo uma lista de que vou assistindo para escrever as resenhas – para falar a verdade, eu ponderei um pouco sobre se iria ou não escrever sobre ele, mas pensei melhor e acho interessante falar de um drama onde a protagonista comeu o pão que o diabo amassou simplesmente porque amava cozinhar.

 

Existe uma frase creditada a Albert Einstein que é a seguinte: “Insanidade é fazer a mesma coisa, uma e outra vez, mas esperar resultados diferentes.” E basicamente “Chocolate” é sobre isso. Sobre a que ponto você vai e faz por aquilo que acredita. Além do sentimento que você tem quando assiste o drama não linear, tem hora que você adora, tem que hora que quer desistir, mas por alguma força invisível você consegue ir até o final.

Assim, essencialmente, este drama começa com sua protagonista Moon Cha-yeong (papel interpretado pela intensa atriz Ha Ji-won)  morando em algum lugar da costa grega com seu restaurante de frutos do mar. O restaurante é quente, e todos lá dentro parecem felizes. Parece que todos são felizes, pelo menos, somos forçados a acreditar nisso. Depois dessa cena, a gente é transportado para Lee Kang (Yoon Kye-sang), o homem que trará toda a dor para Ha Ji-won antes de ela chegar até ali.

Eles se conhecem desde a infância. Lee Kang era um garoto apaixonado por culinária, graças a sua mãe que mantinha um restaurante na costa coreana, um dia aparece uma menina no fundo do restaurante morrendo de fome, o menino oferece alguns petiscos e ela prometeu voltar para comer mais, ele prepara chocolate para aquela garota na esperança de provar tão incrível iguaria, mas alguma coisa acontece e a pequena garota nunca mais retorna.

Chocolate
Reprodução

O encontro das duas crianças parecia apenas mais um entre outros por aí, mas a menina para o jovem Lee Kang irradiava solidão e alguém que sofria abusos. Passado algum tempo, a família paterna do garoto aparece um dia, causando problemas e ostentando sua riqueza. Lee Kang na verdade é o único herdeiro sanguíneo de uma família bilionária que ganha sua fortuna construindo hospitais mundo afora e sua mãe nunca foi aceita por eles, por isso que viviam escondidos ali com aquele restaurante à beira mar. Seu pai havia morrido anos antes.

Lee Kang conhece seu primo pela primeira vez, Lee Joon – um menino de terno de mau humor que atira pedras em um cachorro machucado. Por causa disso, os dois acabam se atracando e um quase mata o outro afogado. Na versão adulta do primo maligno quem faz o papel é o incrível Jang Seung-jo. A família rica acaba levando o coitado do Lee Joon para morar com eles na capital, enquanto sua mãe é deixada sofrendo e sozinha. Cinco anos depois, ela acabaria falecendo.

O tempo passa e já mostra um Lee Kang adulto e conceituadíssimo médico fazendo referência para o altar de sua falecida mãe e capacho da família do seu falecido pai, Já Moon Cha-yeong se torna uma excelente chefe de cozinha num famoso restaurante chamado Bada, tudo graças ao garoto gentil que mostrou para ela o amor pela cozinha. O drama não explica bem, mas parece que Moon Cha-yeong também é órfã, eu não me lembro se isso é comentado ou falado nos primeiros capítulos.

Durante um encontro casual no hospital de sua família, ela acaba encontrando ele reconhecendo-o pelo seu nome. Ficamos sabendo que ela ainda criança retornou ao restaurante um ano depois e lá descobre que o nome do garoto que ela havia se encantado era Lee Kang. Mas enquanto se aproximavam novamente depois de tantos anos, ele acaba sendo enviado para um hospital da família na Líbia, possivelmente para ser morto, o país estava passando por um momento delicado de guerra civil. A ideia foi de sua tia, mãe de seu primo Lee Joon. Apesar da família ser matriarcal, sua avó acaba aceitando essa viagem e ele realmente foi quase de arrasta para baixo nesta aventura por causa de mina.

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Ha Ji-won acaba perdendo a oportunidade de conhecer melhor e se aproximar de seu antigo afeto que, naquele momento virou amor, porém o acaso acaba fazendo ela conhecer e ter um relacionamento com o melhor amigo de Lee Kang, Kwon Min Seong (Teo Yoo) ao mesmo tempo do acidente na Líbia. Os dois acabam se aproximando porque Kwon Min Seong vai provar um prato no Bada de Moon Cha-yeong num momento de desespero por saber que seu melhor amigo está quase morrendo, não esqueçam, ela é uma chefe de cozinha incrível.

Kang realmente fica muito ferido por causa da explosão e só retorna de seu coma por causa de um sonho que tem com sua mãe, onde ela pede para ele sobreviver. Ele ainda tem coisas para resolver em vida e seu amor secreto pela cozinha. O coitado ainda não esqueceu a garotinha que tocou profundamente na infância.

Então, era fácil pensar que ele após voltar do além largaria sua carreira médica e iria se aventurar na sua grande paixão, largando tudo e sua família indigesta, correto? Errado! Ele simplesmente volta a ser capacho de sua odiosa avó. Enquanto isso, Moon Cha-yeong e Kwon Min Seong assumem um relacionamento sério depois de ela rejeitar o coitado mais de 100 vezes. 

Para comemorar isso e o retorno de Lee Kang curado para a Coreia, Kwon Min Seong apresenta sua namorada para ele. O clima tenso está no ar e mais uma vez o destino perfura um prego no coração de Moon Cha-yeong. Ela se sente culpada por causa disso e tenta terminar aquele relacionamento. Um momento que estava sozinha com Kang, revela que ama outro homem e não seu melhor amigo, ela havia percebido que sempre amou aquele garoto e vê-lo na sua frente e sendo melhor amigo do seu novo namorado seria algo que não suportaria, assim, ela acaba largando tudo e foge Grécia para nunca mais voltar.

Não era mais simples ela falar que era a garotinha que ele lhe deu comida na infância, minhas queridas e meus queridos? 

Passado mais alguns anos, Moon Cha-yeong já estabelecida na Grécia acaba recebendo a visita do irmão mais jovem, o cara é simplesmente o maior caloteiro que alguém consegue ser, chamado Moon Tae Hyun (Min Jin-Woong). Ele conseguiu quebrar um champanhe de 8 mil euros, sobrando para sua irmã essa conta sem precedentes. Isso é real daria milhões! Por causa disso, ela acaba entrando num concurso de culinária para tentar conseguir o prêmio e tentar sanar a dívida do imprestável de seu irmão conseguiu.

E adivinha quem será o juiz do concurso de culinária? Ele mesmo, Lee Kang. Na verdade, ele está ali por causa de seu amigo e ex de Cha-yeong, Min Seong, que está com uma doença terminal e pediu como despedida um prato de bolinhos que provou dela. 

Lee Kang destrói o prato de Cha-yeong, acaba com toda a credibilidade que ela tanto lutou na Grécia e ainda volta no restaurante dela e tenta agredi-la. Eles novamente acabam não se entendendo, ela não explica os motivos secretos sobre morar agora em outro país e ele está cego pelo ódio porque acredita que seu amigo ficou doente por causa dela. No final, quem recebe o peso da culpa é novamente Cha-yeong e por causa disso, acaba retornando para a Coréia do Sul para fazer o prato de bolinhos (ensopado) para seu antigo namorado moribundo.

Lee Kang não consegue acompanhar a cena de seu amigo querido comendo o prato que tanto esperou Cha-yeong e morrendo depois disso porque novamente foi manipulado por sua família do mal e se envolve mais uma vez com problemas no hospital. Seus tios fazem de tudo para destruir sua reputação e ele, capacho, aceita tudo até aqui calado. 

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Quando ele recebe a notícia, simplesmente vai pescar no meio da chuva para chorar pela perda do amigo. Na verdade é uma bela cena dramática. A fotografia é incrível. O hospital que Min Seong estava internado era da família de Kang, esse hospital na verdade parece mais uma casa de repouso para doentes terminais, principalmente de câncer. A gente chama casa de conforto por aqui e se me lembro bem, os tradutores usaram esse termo. Enfim, Kang acaba achando Cha-yeong no caminho enquanto estava indo para o funeral do amigo e depois de chorar, parece que a raiva também diminui um pouco.

Aparentemente Lee Kang por causa de todos os acontecimentos dos últimos dias não dormiu e em sua viagem de volta com Cha-yeong acaba dormindo e os dois novamente quase foram de arrasta para baixo porque batem numa caminhonete. Lee Kang não está tão ferido, mas ela precisa fazer uma cirurgia cerebral urgente e acaba sendo ele, o salvador de sua vida novamente. Claro, para melhorar todo o drama da cena, ele faz a operação ferido e sangrando. Acaba sendo levado para ser operado porque estava também muito ferido.

Parece que em “Chocolate” tudo se resolve numa mesa de operação ou doente num hospital. 

Um ano passa de novo.

Cha-yeong retorna para fazer exames de rotina ao hospital da família de Lee Kang e agora ela começa a se aproximar do médico Lee Joon, primo de Kang. Apesar de sofrer tudo que sofreu por todos esses anos, a mulher simplesmente pergunta como vai como Lee Kang para a pessoa que mais odeia ele no mundo. Doideira.

Parece que estou narrando todo o drama, não é? Mas isso tudo aconteceu apenas nos 4 primeiros episódios. 10 anos de salto temporal, três ou quatro mortes impactantes e diversas cenas dos protagonistas em mesas de cirurgias quase morrendo. Qual o objetivo de tudo isso? Bem, eu só queria dizer que se Cha-yeong tivesse falado a verdade para Lee Kang anos antes, NADA DISSO TERIA ACONTECIDO!

Kang apesar de ser um incrível neurocirurgião parece que não gosta da profissão, sua mãe é massacrada pela família de seu pai mesmo depois de morta, seu primo é mais barulhento do que competente e encobre todos os podres que seus pais fazem. Bem aqui, eu parei de assistir “Chocolate”, achei que esse melodrama todo não estava levando a lugar algum. 

Mas então, vale a pena assistir “Chocolate”? Depois de alguns meses, dei mais uma chance para ele e fui até o final, então os próximos parágrafos explicarão minha visão sobre essa história toda. 

Se você tem outro drama na lista para assistir, desista de “Chocolate”. Ele é um drama que tenta fazer sentido, mas misturaram demais os plots e arquétipos, a história vai derretendo aos poucos. Todos os elementos de uma grande história e de uma grande narrativa estavam lá, mas “Chocolate” continuamente atrapalha a sua própria linha temporal dramática. Lembram da frase: “Insanidade é fazer a mesma coisa, uma e outra vez, mas esperar resultados diferentes.” Foi assim que me senti assistindo esse drama, esperei, esperei e esperei, mas o fim acaba sendo genérico demais para que possa recomendar essa produção, mesmo com o belíssimo trabalho do elenco.

A única coisa que salva o drama são as cenas de culinária, coisa que completamente apaixonado. Então só assista “Chocolate” que está disponível na Netflix se não estiver fazendo nada ou gosta de sofrer por nada. Boa Sorte. 

Editor de Contéudo deste site. Eu não sei muita coisa, mas gosto de tentar aprender para fazer o melhor.