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“Wolverine/Gambit: Vítimas” Vale A Leitura?

Os nomes de Jeph Loeb e Tim Sale trazem boas lembranças para os leitores da DC. Ou, mais especificamente, para os fãs de Batman. Afinal, a dupla é responsável por alguns dos trabalhos mais aclamados do homem morcego, como “Vitória Sombria” e “O Longo Dia das Bruxas” (esta maxissérie, aliás, está prestes a ganhar um longa metragem animado). São histórias comumente citadas como referências tanto para quem pretende conhecer o personagem como base para roteiro dos filmes mais recentes de Batman.

Já na Marvel, os artistas são responsáveis pela (assim) conhecida Quadrilogia das Cores, arcos fechados que recontam sob uma perspectiva de forte nostalgia o passado de Homem-Aranha, Hulk, Demolidor e Capitão América. São títulos bem recebidos pelo público, que giram em torno das paixões (e no caso do Capitão, amizade) mais fortes de cada personagem, usadas como referência até os dias atuais. No entanto, existe outro fruto dessa parceria pouco citado e que ganha nova edição pela Panini Comics, através do selo Marvel Vintage. Trata-se de “Wolverine/Gambit: Vítimas“.

Essa minissérie em quatro partes foi publicada originalmente em 1995 nos Estados Unidos, saindo em versão nacional dois anos depois, pela Abril Jovem. Na história, uma sequência de assassinatos de mulheres vem ocorrendo em Londres, espalhando um terror pela cidade que remete ao lendário Jack, o Estripador. Uma das vítimas é conhecida antiga do x-man Gambit, que viaja para a capital londrina de modo a acompanhar as investigações. Não demora para que descubra a identidade do principal suspeito: Wolverine! Flagrado prestes a cometer mais um ataque, o mutante se mostra confuso e sem consciência dos próprios atos. Seria mesmo ele capaz das atrocidades pelas quais é suspeito?

A trama construída até este ponto é instigante e aponta, no imaginário do leitor, para várias possibilidades. Mas os planos de Loeb e Sale eram outros e em geral frustrantes. Salvos do cerco policial no último minuto por uma suposta emissária de Nick Fury, Gambit e Logan acabam confinados num esconderijo cheios de armadilhas reais e psicológicas armadas pelo Arcade e pela Mestre Mental, associados num plano de vingança confuso quanto à motivação ou propósito. A arte de Sale, conhecidamente estilizada, parece preguiçosa em vários quadros, refletindo a pobreza do roteiro.

Ao estabelecer no título uma metáfora ligando a má sorte no amor que aflige os protagonistas com o destino das mulheres violentamente estraçalhadas, Loeb revela o quanto está disposto a forçar a barra em seu argumento, o que o resultado final só comprova. Mesmo a revelação sobre a autoria dos crimes se dá de forma anticlímax, estabelecendo um desfecho muito aquém dos nomes envolvidos. O selo Marvel Vintage tem resgatado boas histórias como “A Saga do Devorador de Pecados” do Homem-Aranha e “Justiceiro: Zona de Guerra”. Mas “Vítimas” definitivamente não é uma delas.

Wolverine/Gambit: Vítimas
Panini Comics
104 páginas
R$ 44,90
Rafael Machado
Parnaibano, leitor inveterado, mad fer it, bonelliano, cinéfilo amador. Contato: rafaelmachado@quintacapa.com.br