Terça, 25 De Setembro De 2018

Notícias sobre Filmes, Séries e Netflix

Cr√≠tica – “Mandy” e o pesadelo lis√©rgico oitentista!

Entrei em √™xtase¬† ao ver o trailer de “Mandy” pela primeira vez! Uma hist√≥ria de vingan√ßa. Fan√°ticos de uma seita religiosa. Nicolas Cage man√≠aco fazendo um machado de design medieval/futurista. Uma gangue de motoqueiros mutantes. A logo do filme naquela tipografia incompreens√≠vel de alguma banda obscura de black metal¬†acompanhada de uma cena com um duelo de serras-el√©tricas. Finalmente uma alma caridosa – – e de nome esdr√ļxulo – – iria nos tirar do marasmo atual do cinema de horror americano com suas continua√ß√Ķes e spin-offs de franquias que j√° deram o que tinham de dar. Enfim, algu√©m para nos dar aquilo o que realmente importa no cinema: um espet√°culo gr√°fico da mais pura dem√™ncia goresca!

Enfim, divaguei.

Nicolas Cage l “Mandy” – 2018.

Em 1983, Red Miller vive pacificamente junto a sua esposa Mandy em uma localidade chamada Shadows Mountains. Ele, um lenhador e ela, uma desenhista, f√£ de Metal – – o Rock – – e de leitura. Ambos em harmonia, com direito a passeios no lago, conversas sobre planetas e noites sob o luar, a luz da fogueira. Por√©m, em um dia fat√≠dico, Mandy cruza com um ve√≠culo de uma seita de fan√°ticos religiosos chamada “Crian√ßas do Novo Amanhecer” onde seu l√≠der acaba se encantando com a mo√ßa. Eles fazem um pacto com uma gangue de motoqueiros psic√≥ticos mutantes para os ajudar na tarefa de invadir a casa do casal e torna-la uma de suas seguidoras. O plano d√° errado e ela √© morta brutalmente na frente de Red que ap√≥s o choque sai √† ca√ßa de todos armado de um machado e uma besta – – a arma, n√£o uma pessoa – – turbinado por gor√≥, p√≥ e √°cido (falo s√©rio!).

Cobrar sentido e originalidade a um filme como “Mandy” √© bobagem e se pela sinopse voc√™ o achou com um ar oitentista, n√£o √© apenas impress√£o. A escolha da d√©cada de 80 e mais especificamente o ano de 1983 na ambienta√ß√£o n√£o √© aleat√≥ria. Para o jovem diretor √≠talo-canadense Panos Cosmatos essa refer√™ncia tem a ver com mem√≥rias afetivas de sua inf√Ęncia, quando exercitava sua imagina√ß√£o olhando as capas e sinopses de filmes de terror em VHS, j√° que ele n√£o podia assistir por conta da idade. Outro fator √© ele ser filho de George P. Cosmatos, diretor de dois cl√°ssicos dos 80s: “Rambo II” e “Cobra” (ambos estrelados por Sylvester Stallone), sendo assim o jovem pode chafurdar nesse terreno com propriedade.

Andrea Riseborough l “Mandy” – 2018

Felizmente, esses fatores n√£o tornam “Mandy” um pastiche; Cosmatos imprime sua marca nos entregando um longa visualmente espetacular, com cores fortes e saturadas, conferindo uma atmosfera ora psicod√©lica e on√≠rica – – nas sequ√™ncias focadas no relacionamento entre Red e Mandy – – ora mais sufocante e agressiva, na segunda parte do filme centrada na revanche de Red. Lembram do ar oitentista que eu citei mais acima? Pois √©, ele permeia toda a obra e enriquecem a narrativa: desde a capta√ß√£o de imagens usando o sistema anam√≥rfico da Panavision – – deixando as imagens mais alongadas e distorcidas, ao inv√©s do widescreen padr√£o, logo, conferindo uma imagem mais “antiga”, passando pela inser√ß√£o de cenas em anima√ß√£o com forte influ√™ncia da revista “Heavy Metal”, at√© a trilha sonora sintetizada composta por J√≥hann J√≥hannsson, que por tabela ecoa John Carpenter. De b√īnus, a participa√ß√£o de Bill Duke, famoso coadjuvante em produ√ß√Ķes como “Predador” e “Comando Para Matar”.

Ter um filme com uma premissa tão tresloucada necessitava de um ator a altura para interpretar um protagonista com tendências destrutivas tão fortes e Nicolas Cage entrega o exagero necessário para isso. Interessante notar que, inicialmente, ele não era cotado para ser Red Miller, mas sim, Jeremiah Sand, seu antagonista. A presença de Cage veio pela indicação de Elijah Wood РРo filme é produzido por sua companhia, a Spectrevision РРque deu o roteiro do filme (escrito pelo próprio Cosmatos) a ele, que empolgado conversou com o diretor para ser o protagonista. Essa empolgação em querer interpretar Red veio como uma maneira de Cage exorcizar o fim de seu terceiro casamento e a perda de seu pai РРjá que o personagem
lida justamente com esse sentimento.

Duelo de serras el√©tricas? Sim! l “Mandy” – 2018.

De uma maneira geral, ‚ÄúMandy‚ÄĚ √© um bom filme e Panos Cosmatos √© um nome a se prestar aten√ß√£o, j√° que este √© apenas o seu segundo filme. Na primeira vez que o assisti fiquei levemente decepcionado por n√£o ter o excesso de carnificina que eu esperava – – n√£o para os meus padr√Ķes doentios – – mas revendo-o achei que ficou melhor assim, pois poderia cair no risco de ficar caricato em excesso. O cuidado do diretor com toda a produ√ß√£o, al√©m da entrega do elenco, torna a experi√™ncia divertida e nos d√° um revival honesto.

E palmas para o maravilhoso e sat√Ęnico comercial de ‚ÄúCheddar Goblin‚ÄĚ em um determinado momento do filme. Depois dele o queijo cheddar nunca mais ser√° o mesmo.

“Mandy” estreou no festival de Sundance em Janeiro e galgou 100% de aprova√ß√£o no Rotten Tomatoes. A estreia oficial nos USA foi em 14 de Setembro, j√° aqui no Brasil ainda n√£o foi divulgado.

Posts Relacionados
%d blogueiros gostam disto: