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[RESENHA] Nightwish – HUMAN. :|: NATURE (2020)

Depois de cinco anos Nightwish se renova com seu mais novo álbum que deixou os fãs divididos. Veja o que achamos de "Human Nature".
Nightwish
Banda (Reprodução)

Os titãs do metal sinfônico finlandês, Nightwish, estão de volta com um álbum novo depois de cinco anos de espera; o primeiro onde Floor Jansen, a vocalista da banda, finalmente teve sua chance de brilhar e mostrar que é um das melhores vocalistas de todos os tempos do universo sinfônico.

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Mas nem tudo são flores, também é o álbum que senti um verdadeiro desapontamento em ouvi-lo até o final, em grande porque seu principal compositor e dono, Tuomas Holopainen perdeu seu brilho, é sensível que não existe nenhum esforço de esconder que estava sem inspiração em quase duas horas de álbum quando se escuta o CD 1 e CD 2. Cinco anos para escrever o álbum e Holopainen entrega um trabalho sem sabor e que não empolga os fãs que gostam de velocidade, orquestras pomposas e corais que eles mesmos criaram dentro do metal sinfônico.

Encarte do Human Nature
(Reprodução)

Não inteiramente – ainda há um monte de linhas padrões que vemos sempre nos álbuns anteriores e que ficaram marcantes em Human Nature; o guitarrista Emppu Vuorinen está completamente marginalizados no álbum. Eu consigo contar em apenas uma mão quantos riffs poderosos ele faz em toda a execução, enquanto o baixista Marco Hietala não mostra nada de novo, exceto por alguns momentos de segunda voz e um dueto com a Floor Jansen na faixa que encerra o álbum.

Certo, o álbum é todo composto para criar uma história tribal sobre natureza e homem, Holopainen dividiu as faixas em movimentos como se fossem a própria natureza. Se formos analisar sobre essa perspectiva, é um trabalho ambicioso. Mas Holopainen está, novamente, fazendo músicas bucólicas e seu impulso em escrever músicas clássicas superam claramente o que faz do Nightwish tão importante para o metal.

Essa dualidade musical (o CD 2 é apenas de faixas instrumentais), que vem crescendo na principal mente da banda, nos faz questionar se existe mesmo uma necessidade que Holopainen está procurando, essa nova forma de composições. Human Nature é equilibrado para quem não conhece a banda ou estamos diante de um novo Nightwish que não consegue mais acompanhar seu criador?

De qualquer forma, a soma das partes de Human Nature soa, em minha não tão humilde opinião, um álbum bonito de ouvir, um álbum épico que merece resenha faixa por faixa:

Minute

Um minuto e meio de ruídos misteriosos e mutações sonoras para dar uma carga dramática e tribal que faz o ouvinte pensar em reinos subaquáticos. Quando você pensa que estava dentro de um devaneio, o coro entra e percebe que já estamos com três minutos de música. Floor Jansen é a estrela da faixa, acompanhado por uma presença discreta Holopainen no teclado. A banda finalmente chega forte com todos os membros lutando por sua vez, Emppu Vuorinen e Marco Hietala trazem apenas o básico em conjunto com a orquestra e coro. Nada de novo? Sim, mas isso não a torna menos emocionante.

Noise

Estamos diante do single que foi lançado antes do álbum, é a música mais pesada de Human Nature e com o tema mais interessante de interpretar para o ouvinte. Existem elementos musicais árabes que gostei muito de ouvir. Do começo ao fim é consistente, um verdadeiro cânone do Nightwish e os vocais da Floor estão perfeitos do começo ao fim.

Shoemaker

Uma fatia quase operística, funciona como uma vírgula dentro da execução do álbum, já que é apenas narração de histórias, com interpolações de palavras faladas e um majestoso canto operístico no final. De fato, o final da música a salva da mediocridade de seu início.

Harvest

A abertura do Harvest parece algo que Peter Gabriel poderia ter feito em um de seus álbuns solo; No entanto, quando aparece alguns vocais masculinos mornos, decepciona. Dito isso, a faixa ainda faz sentido quando chega em sua parte intermediária, a coisa fica caprichada quando Vuorinen, Holopainen e as flautas de Donockley se misturam triunfantemente para criar linhas belíssimas de metal melódico.

Pan

É a segunda melhor faixa do álbum, mesmo que tenha um tom bucólico, Floor Jansen retoma o controle vocal e finalmente ouvimos as linhas de bateria de Kai Hahto que é subutilizado no álbum junto com o resto da banda.

Sobre Kai Hagto, eu preciso escrever um páragrafo separado. Esse baterista é um dos melhores músicos vivos do mundo, para quem não sabe, ele é baterista do Wintersun e quem quiser ouvir o que ele é capaz, escute esta faixa. O cara é um monstro.

Agora de volta a faixa Pan, o resto da banda oferece uma breve intercessão, mas bem irregular. Essa dinâmica alternada continua até o meio da música, que depois se transmite em uma viagem bonita do poderoso metal melódico – o tipo de música que os fãs mais amam.

How’s The Heart

Mais uma vez a flauta de Donockley é utilizada, mas dessa vez a faixa é limpa e direta. Parece uma espécie de balada semi-potente, algo comum dentro das bandas europeias de metal. Não oferece exatamente aquelas inúmeras linhas instrumentais que você esperaria, optando por manter linhas mais celtas em seus acordes. Dito isto, a enfática performance vocal de Jansen marca essa música.

Procession

Floor Jansen novamente é o centro das atenções da faixa, pois a execução a música deixa sua voz tomando de contada de todos os espaços que alcança. O que, obviamente, ela faz sem defeitos, apesar de oferecer uma sombria e melancólica melodia.

Leia também: Resenha | Testament – Titans Of Creation (2020)

Tribal

Pensei que fosse uma música do Sepultura. Já que a performance do baterista Kai Hahto sustenta uma linha selvagem de riffs e uma performance vocal da Floor gratificante. Ela tinha tudo para ser a melhor faixa, mas aconteceu alguma coisa. Ainda assim, o que se escuta do começo ao fim, faz jus ao título da música.

Endlessness

Não é a música mais longa do álbum, mas, sem dúvida, o ‘‘épico’’ do álbum. É toda produzida dentro de uma linha instrumental oriental que, eu acredito que seja da Caxemira. Marco Hietala e Floor Jansen compartilham os vocais nesta faixa toda banhada de majestade sinfônica, formando a apoteose final do álbum. Uma música que vai aumentando os elementos, a tensão e o drama antes de se diminuir em uma levada sonora de coros.

E é isso. Não tem nada inovador ou grandioso que sempre esperamos dos lançamentos do Nightwish. Como o CD 2 é completamente instrumental não tenho condições técnicas de fazer isso.

Devo dizer que, apesar de todas as minhas reservas e críticas, Human Nature é escutável, porém não chega aos pés do álbum Once de 2004. Existe muita coisa para ouvir e absorver do álbum, mas com toda a certeza o conceito “Metal” da banda está diminuindo a cada dia.

Por fim, recomendo, mas vá com calma e com bastante cautela.

Informações internacionais sobre o Álbum:

Studio Album, released in 2020

Songs / Tracks Listing
CD 1 (50:37)
1. Music (7:23)
2. Noise (5:40)
3. Shoemaker (5:19)
4. Harvest (5:14)
5. Pan (5:18)
6. How’s the Heart? (5:02)
7. Procession (5:32)
8. Tribal (3:57)
9. Endlessness (7:12)

CD 2 (31:03)
1. All the Works of Nature Which Adorn the World
I. Vista (4:00)
II. The Blue (3:36)
III. The Green (4:42)
IV. Moors (4:44)
V. Aurorae (2:08)
VI. Quiet as the Snow (4:05)
VII. Anthropocene (incl. “Hurrian Hymn to Nikkal”) (3:06)
VIII. Ad Astra (4:42)

Total Time 81:40

Line-up / Musicians
– Floor Jansen / vocals
– Tuomas Holopainen / keyboards
– Emppu Vuorinen / guitars
– Marco Hietala / bass & vocals
– Troy Donockley / uilleann pipes, low whistles, vocals
– Jukka Nevalainen / drums

Releases information
Label: Nuclear Blast
Format: Vinyl, CD, Digital
April 10, 2020 (Pre order from February 7, 2020)

 

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