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RPG| Conhecendo o Cenário: Dragonlance

Foi com Dragonlance que as coisas ficaram sérias.

Ravenloft foi o primeiro lançamento de sucesso do casal Laura e Tracy Hickman em conjunto de Margaret Weis, mas certamente não foi seu maior projeto. Dragonlance inaugurou uma nova era de mercantilização do Hobby, um que persiste até hoje.

Também foi Dragonlance que marcou o início do fim da era “Old School”.

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Origens

Existe um artigo inteiro dedicado a falar sobre o impacto deste cenário dentro da TSR (empresa responsável pelo D&D na época). E não é sem mérito, Dragonlance foi um projeto impressionantemente ambicioso: Um lançamento multimídia antes mesmo de terem um nome para isso! (1984)

O projeto incluía não somente o lançamento de caixas de módulos de aventuras, como também de uma trilogia de livros que acompanhavam estas aventuras. Embora para os padrões de hoje elas sejam ABSURDAMENTE lineares, elas acompanhavam mapas e tiles muito bem trabalhados.

Antes de Dragonlance os módulos eram muito baseados em localização. Eram como “situações” que você facilmente conseguiria botar em suas campanhas já existentes sem precisar de uma “cirurgia”. Já as caixas DL apresentavam 16 aventuras que seguiam uma estrutura de começo, meio e fim. O que hoje poderíamos chamar de “Adventure Paths”.

Dragões do Crepúsculo de Outono é o primeiro livro da trilogia, e acontece ao mesmo tempo dos módulos DL-1 e DL-2. Os eventos de DL-3 e DL-4 não são vistos nos livros, mas sua conclusão leva até o segundo livro da trilogia Dragões de uma Noite de Inverno, que chega a DL-6 até DL-10.

Os outros módulos variavam entre regras para Wargame no cenário e materiais de referência para a trilogia de livros. O objetivo dos livros era “dar ao cenário uma sensação mais real”, e inaugurou a era de romances para os cenários de D&D. E isso foi importante não somente para o RPG, mas para a fantasia como um todo. Claro, existiram Tolkien e Howard e alguns outros autores pulp dos anos 60 e 70. Mas de uma forma geral o gênero era extremamente menor, e a maior parte dos autores que escreviam eram autores de Ficção Científica que escreviam obras que hoje em dia não seriam identificadas como livros de fantasia, seja em conteúdo, seja em estilo.

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O que torna Dragonlance único?

Embora hoje muito se nomeie “Fantasia Medieval” como um gênero, diversas vezes as obras não possuem muitos elementos da idade média de fato. Usamos “medieval” como uma palavra para evocar a imagem de lutas de espadas e heróis, embora estes elementos sejam mais presentes da forma que vemos hoje nos mitos da idade clássica.

Mas no caso de Dragonlance, o cenário realmente chega a alcançar o título de “fantasia medieval”. REINOS existem e são os centros políticos das regiões, diferentemente das cidades-estado de Forgotten Realms. GUERRAS são um fator tão decisivo no cenário que chegam a de fato definir o mundo e suas eras. Mas, claro, o cenário não deixa os elementos de Alta-Fantasia de lado: Dragões estão no centro da narrativa, sendo possível até mesmo montar estas criaturas. utilizando-se de um elemento que alguns jogadores de D&D está familiarizados: Dragões Cromáticos são Malignos e Dragões Cromáticos são Bons.

A história do mundo de Krynn é dividido em diversas eras, e cada era possui sua peculiaridade:

Era da Gênese das Estrelas: Uma idade conhecida apenas por lendas, canções e escritos religiosos. Durante esta época, o mundo de Krynn foi forjado e as raças mortais foram criadas.
Era dos Sonhos: Uma época de mitos e lendas, onde poderosos heróis do bem combateram o mal e o povo aprendeu lições que se revelariam importantes posteriormente.
Era do Poder: As forças do bem dominavam neste período, onde a civilização atingiu seu ápice e as raças malignas foram subjugadas ou expulsas. Nesta era, as raças mortais demonstraram uma trágica ignorância que finalmente acarretou a destruição de sua idade do ouro.
Era do Desespero: Pragas, fome e guerra marcaram esta era. A paz só podia ser conquistada a um preço terrível. Entretanto também foi uma época de redescobertas, em que o povo de uma terra destroçada recuperou seu passado e restabeleceu seu relacionamento com as divindades. No final desta idade, o mundo foi alterado para sempre pelo Segundo Cataclismo.
Era dos Mortais: Na idade atual, as pessoas de Krynn estão aprendendo a direcionar seu próprio futuro e descobrindo que mesmo os mais poderosos podem ser derrotados, e os mais humildes são capazes de erguer acima de todos os demais.

A trilogia clássica e boa parte dos módulos se passam na Era do Desespero, onde não existem clérigos devido à conexão perdida com os deuses (LOW MAGIC AS FUCK). Mas à partir do cenário de campanha da terceira edição, a Era dos Mortais foi inaugurada e é onde o cenário “atualmente” se encontra. Existe também uma adaptação deste cenário para o sistema SAGA.

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Considerações finais

A Jambô Editora ficou responsável por relançar a trilogia clássica no Brasil. Dragonlance certamente teve um enorme impacto no cenário da fantasia e do RPG, inspirando autores como Christopher Paolini a escrever Eragon. A banda de metal Blind Guardian também escreveu uma música baseada na história de Raistlin Majere chamada “The Soulforged“.

O futuro do cenário é incerto, pois assim como Ravenloft, último Guia de Cenário propriamente dito foi feito por terceiros na Sovereign Press, editora da Margaret Weis. Apesar disso, seu panteão ainda está cristalizado no apêndice do Players Handbook da quinta (e atual) edição de D&D.

Existe também essa animação de  2008 que parece ter saído da década de 80. Ela adapta o primeiro livro.

E você? Qual cenário quer ver um post aqui?
Comente! 🙂

John Cavalcante
Cortador de cana na empresa Quinta Capa