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The Last of Us Part II – Análise e opinião sobre o segundo jogo da franquia

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The Last of Us Part II é lançado dividindo opiniões com seu enredo carregado de diferentes sentimentos. Leia a opinião e análise, sem spoilers, sobre a segunda parte da história dirigida e escrita por Neil Druckmann.

Enquanto o primeiro jogo contava uma história de amor, em The Last of Us Part II será contada uma história de ódio

Antes de analisar e expor a opinião sobre The Last of Us Part II, tenho que deixar algumas coisas claras. O primeiro jogo está entre as três melhores campanhas que joguei na vida, as opiniões sobre o segundo jogo estão bem divididas e, por último, se você tiver a oportunidade jogue o game e forme a sua opinião. Jogamos o exclusivo no PS4 modelo padrão para a análise.

The Last of Us Part II coloca o jogador cinco anos após o final do primeiro jogo, com Joel e Ellie vivendo em Jackson. O jogo aproveitou as ótimas mecânicas de seu antecessor e apresenta algumas novidades. A jogabilidade permite que os jogadores tenham as ferramentas necessárias para diferentes abordagens nos combates. Combates que ocorrem contra diferentes infectados e novos grupos de sobreviventes revelados durante a campanha.

Entrando no mundinho

the last of us 2 arte conceitual

Mais uma vez a desenvolvedora Naughty Dog consegue colocar em seu jogo um nível de detalhe impressionante, criando uma atmosfera imersiva para seus jogadores. Assim como na franquia Uncharted e no primeiro The Last of Us, o trabalho de ambientação em TLOU Part II faz com que o jogador viva o enredo do jogo de uma forma imersiva.

Os elementos gráficos das cenas são ótimos e são um dos pilares da narrativa, intensificando o sentimento que está sendo transmitido em determinados momentos. Explorar os ambientes no jogo não tem apenas recompensas em recursos, mas também permite entender melhor como ficou o estado da sociedade anos após o surto de infecções. Os detalhes nos bilhetes que encontramos durante essas explorações mostra como as pessoas têm diferentes reações ao surto, algumas apenas sobrevivendo enquanto outras lutam bravamente pela vida.

Existem diversos colecionáveis espalhados nos cenários, incentivando o jogador a caminhar pelos lugares completamente afetados pelo tempo e pelo fungo. Mais uma vez podemos destacar que mesmo sem ter uma interação direta, mensagens em paredes, estado de cômodos das casas abandonadas, situação em lojas, tudo isso faz parte do conjunto que coloca você nesse universo apocalíptico durante toda a campanha.

Visual não é tudo em The Last of Us Part II

O trabalho de áudio também tem uma importância gigantesca no jogo. Além de criar uma atmosfera em conjunto com o trabalho gráfico através da trilha sonora, o som é uma das ferramentas que temos para usar em combates. Além de saber posicionamento de inimigos, podemos reconhecer os diferentes tipos de infectados, quantidade de combatentes e nível de alerta de soldados.

Completando os elementos que nos colocam dentro do mundinho criado por Neil Druckmann temos os atores que interpretam os personagens na história. A atuação é algo chave para as mensagens e sentimentos que são transmitidos em TLOU Part II. Um grande destaque que devo pontuar aqui é o excelente trabalho dos dubladores brasileiros. Assim como aconteceu no primeiro, a atuação dos dubladores tupiniquins supera o trabalho original em grande parte da narrativa, mostrando mais uma vez que a dublagem brasileira é uma das melhores do mundo.

O bom, o mau e todos são sobreviventes

the last of us 2 personagens

The Last of Us Part II começa cinco anos após o final do primeiro jogo, no dia seguinte da festa que vimos no trailer de revelação na E3 de 2018. Joel e Ellie vivem em Jackson, um assentamento liderado Tommy e Maria. O local abriga diversas famílias e apresenta uma organização focada em ser sustentável com a geração e troca de recursos, abrigando outros sobreviventes e realizando patrulhas para manter infectados e bandidos afastados.

O relacionamento entre os protagonistas do jogo anterior está diferente, um pouco abalado pelas experiências que passaram e descobertas feitas nos anos entre os dois capítulos. Esse relacionamento também é um pilar da narrativa do segundo jogo, mas no lugar do amor do primeiro, temos o ódio carregando a história nas costas. São muitas as mensagens e sentimentos que vivemos durante a campanha, passando por diferentes pontos de vista dos personagens e das diferentes ideologias por trás dos grupos de sobreviventes. A intenção é mostrar a sobrevivência mostra faces boas e más das pessoas e que durante o medo e dificuldade que encontramos nossa força.

Ao tratar de assuntos que não estão muito presente em jogos e com cenas fortes, a história do jogo dividiu opiniões. Com temas fortes e a quebra da linha de herói/vilão, muitos jogadores ficaram incomodados com as decisões narrativas. São elementos que transmitem sentimentos distintos em cada um, algo muito pessoal que não terá uma avaliação clara do certo e errado em diversos momentos. Por isso, é muito importante que cada um tenha sua própria opinião ao consumir a história do jogo, seja jogando ou assistindo gameplays.

Com a conclusão do primeiro jogo, eu tinha uma opinião clara sobre os personagens e as escolhas feitas. Interpretei como uma história concluída, sem a necessidade de uma continuação direta, pois achava que seria complicado acompanhar os personagens com as consequências de seus atos.

Experiência pessoal com The Last of Us Part II

Durante a minha jogatina de The Last of Us Part II não tive problemas com os eventos iniciais que servem de catalisador para todo jogo, mesmo sendo uma escolha extremamente arriscada para o roteiro. Mas a primeira metade foi um pouco complicada, provavelmente porque a narrativa usou elementos mais fracos e genéricos comparados ao primeiro jogo. Mas todo o trabalho de ambientação que descrevi anteriormente e a vontade de entender o que a Naughty Dog queria mostrar me motivou muito. E tenho zero arrependimentos de ter me permitido ter minha própria opinião em meio à chuva delas na internet.

A segunda metade do jogo, onde alguns jogadores fazem as críticas mais pesadas, é exatamente onde o jogo me fisgou. Um sentimento de confusão aparece quando você tem uma nova perspectiva, quando aquela clara divisão que foi feita de bom e ruim é simplesmente esmagada e quando os personagens ganham e perdem sua humanidade.

O ritmo foi algo que me incomodou em alguns momentos, mas eram períodos curtos interrompidos por momentos mais tensos de luta pela vida. Agora temos um equilíbrio maior na quantidade de combates contra infectados e outro grupos de pessoas, em alguns momentos enfrentamos todos ao mesmo tempo.

As duas metades da campanha, mesmo que extensas e repetitivas em alguns pontos, são extremamente necessárias para a conclusão do jogo. Tudo começa a se conectar e faz com que cada fato novo cause um impacto sentimental diferente, mudando seu relacionamento com cada personagem que a história apresenta.

Mesmo com cenas fortes e grandes mudanças de perspectiva dos personagens, as mensagens com maior impacto e importância são transmitidas de uma maneira sútil, construindo a beleza e complexidade do enredo.

Conclusão

The Last Of Us Part II é um jogo que tem o DNA Naughty Dog, uma parte técnica sólida, com poucas falhas e que coloca você em um estado de imersão com facilidade. Seu enredo é o divisor de opiniões, com temas fortes e cenas impactantes, as conexões com os personagens é testada e alterada a cada nova descoberta. O ponto negativo é a rejogabilidade. Teremos acesso aos nossos equipamentos com progresso vamos em busca dos colecionáveis e conquistas restantes, mas perdemos o poder que a narrativa teve durante a primeira jogatina.

Não é um jogo para todos e, definitivamente não irá agradar todos os que acompanharem a experiência. Definitivamente está na briga para jogo do ano de 2020!

the last of us 2 ellie e violao

 

Notas
  • 10/10
    Gráficos - 10/10
  • 10/10
    Áudio - 10/10
  • 8/10
    Enredo - 8/10
  • 9/10
    Jogabilidade - 9/10
  • 6/10
    Rejogabilidade - 6/10
8.6/10

Resumo

The Last of Us 2 é um jogo que acerta na parte técnica e divide opiniões na narrativa. Definitivamente não vai agradar 100% dos jogadores, diferentes mensagens e personagens estão presentes no jogo e são absorvidas de modo diferente por cada pessoa.

Pontos Positivos

  • Gráficos
  • Áudio
  • Ambientação
  • Atuação e dublagem
  • Jogabilidade

 

Pontos Negativos

  • Ritmo da campanha
  • Alguns argumentos que carregam a narrativa
Eric Mozetic
Personagem criado nos anos 80 e com ganho de XP nos anos 90. Amante de jogos eletrônicos, namorado de jogos de tabuleiro, curtindo sempre uma boa música. Casualmente causando por aí!