Domingo, 04 De Novembro De 2018

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Cr√≠tica | Castlevania ‚Äď 2¬™ Temporada

Hollywood conseguiu aperfei√ßoar a f√≥rmula de trazer o mundo dos quadrinhos para o cinema ao longo da √ļltima d√©cada, agora pe√ßa para ela fazer a mesma coisa com o mundo dos games e veremos ela falhar miseravelmente. √Č at√© uma boa pergunta, produzir uma adapta√ß√£o de um game √© t√£o dif√≠cil assim para a maioria dos est√ļdios? Por que, depois de todos esses anos, projetos como o Mortal Kombat, de 1995, e Silent Hill, em 2006, ainda se mant√™m como os pontos de refer√™ncia para esse g√™nero? E olha que Mortal Kombat nem √© l√° essas coisas.

 

 

Então, algo como a série Castlevania da Netflix surgiu para provar que tudo o que precisávamos era a combinação certa de uma pesquisa direto da fonte,  interessante e talento do roteirista, além de uma direção e dublagens incríveis. A 2ª temporada de Castlevania se transforma na melhor adaptação de um videogame para TV. E nem precisou gastar tanto.

A 1ª temporada chegou a Netflix em julho de 2017, oferecendo aos fãs quatro insignificantes episódios antes de desaparecer pelos próximos 16 meses. Felizmente, a Season 2 não só está caindo na melhor época para séries de terror, mas traz o dobro de episódios e mergulha muito mais fundo neste universo de horror fantástico. Além disso, você pode pular a primeira temporada se quiser, eles fazem uma sinopse dos quatro episódios.

A nova temporada coloca o caçador de criaturas das trevas Trevor Belmont (Richard Armitage), o meio-vampiro Alucard e Sypha Belnades (Alejandra Reynoso) contra o implacável Drácula (Graham MacTavish), que atualmente está em guerra contra a humanidade em retaliação pela morte de sua esposa, Lisa (Emily Swallow). E é bem aqui que está o pulo do gato desta série.

A maioria das adapta√ß√Ķes de videogame teria deixado por a√≠, focando no fanservice ¬†– a longa jornada atrav√©s do Castelo Dr√°cula, os quebra-cabe√ßas e labirintos e lutas contra chef√Ķes e o confronto decisivo com o pr√≥prio Dr√°cula. Mas enquanto algumas delas s√£o inclu√≠das, h√° muitas linhas novas de enredo e subvers√Ķes inesperadas da f√≥rmula mais comum. Por um lado, a segunda temporada apresenta ainda uma nova linha de personagens e vampiros para complicar a vingan√ßa de Dr√°cula. O lorde vampiro solit√°rio √© acompanhado por tribos inteiras de vampiros, cada um com sua pr√≥pria gama de habilidades, motiva√ß√Ķes e sensibilidades. Em especial a ¬†trai√ßoeira Carmilla (Jamie Murray) e o b√°rbaro senhor da guerra Godbrand (Peter Stormare). Tamb√©m um grande foco nesta temporada s√£o os dois servos humanos de Dr√°cula, o fanaticamente leal Forgemasters Isaac (Adetokumboh M’Cormack) e Hector (Theo James).

A coisa mais legal de Castlevania √© o fato de que nenhum desses personagens caem perfeitamente nas categorias de her√≥is ou vil√Ķes. O escritor Warren Ellis d√° a cada personagem principal uma quantidade impressionante de profundidade e nuances. O pr√≥prio Dr√°cula continua sendo o ator mais convincente nesse enredo complexo. Ele √© uma figura tr√°gica, atacando o mundo dos homens depois que sua √ļnica chance de paz e felicidade foi roubada dele. Carmilla pode ser uma intrigante pol√≠tica, mas ela e seus colegas vampiros est√£o compreensivelmente preocupados com as a√ß√Ķes question√°veis de seu mestre e com a aparente incapacidade de executar sua pr√≥pria guerra. Isaac e Hector s√£o fascinantes, com a s√©rie focando muito em suas motiva√ß√Ķes para se voltar contra a sua pr√≥pria esp√©cie e ajudar Dr√°cula a cometer genoc√≠dio em larga escala. At√© mesmos homens como Trevor e Alucard t√™m tanto desd√©m pela humanidade quanto seus inimigos, e por boas raz√Ķes.

Se for para reclamar de algo é a forma como os humanos são tratados na série. Praticamente gado para os vampiros e desprezados por todos os personagens.  Nós raramente vemos outros personagens humanos, exceto quando a série relembra a morte de Lisa Tepes ou vários outros atos de atrocidade humana sobre humanos. Lá pelas tantas, a série faz um trabalho quase bom demais para ilustrar a posição de Drácula, fazendo com que você se pergunte por que alguém se preocupa em lutar em defesa dos humanos covardes, hipócritas e supersticiosos em primeiro lugar.

A 2ª temporada permanece tão consistentemente cativante, apesar de se mover em um ritmo meio lento para alguns. A coisa só anda mesmo nos três episódios finais. Antes disso, o foco é fortemente voltado para o desenvolvimento de personagens. Acredito que daria para enxugar isso tudo e fazer um filme cabuloso de bom, mas no processo, essa história perderia a forte caracterização que dá o conflito seu peso em primeiro lugar.

Ellis prova ser mais uma vez um dos escritores mais legais da nossa gera√ß√£o. Tendo seguido sua carreira de quadrinhos por muitos anos, Ellis sempre me pareceu algu√©m que aborda propriedades licenciadas como uma esp√©cie de exerc√≠cio intelectual. Ele admitiu n√£o ter familiaridade com a franquia quando foi chamado para ser o roteirista. Mas em vez de trabalhar contra esta s√©rie, essa dist√Ęncia parece ter dado a Ellis a capacidade de abordar Castlevania com um olhar cl√≠nico, escolhendo os elementos que se ad√©quam √† sua hist√≥ria e descartando o resto. O resultado √© uma nova hist√≥ria fiel ao esp√≠rito do material de origem, mas tamb√©m um espirituoso e autoconsciente o suficiente para zombar de si mesmo quando necess√°rio.

Symphony of the Night e os desenhos de personagens de Ayami Kojima continuam sendo a principal fonte de inspira√ß√£o visual para a s√©rie. O figurino e projetos arquitet√īnicos combinados com a ilumina√ß√£o mal-humorada fazem um bem danado para esta s√©rie animada superestilosa. Al√©m disso, est√° muito bem desenhada, a anima√ß√£o flui e as batalhas soam reais e bem movimentadas.

 

A dublagem:

Netflix

A dublagem também está ótima, eu assisti a versão em inglês. Há sempre uma linha muito delicada quando se trata de descrever os vampiros como antagonistas trágicos e perpetuamente miseráveis. Eles ficam parecendo vampiros emos dos romances de Anne Rice. Aqui, as performances, roteiro e direção de arte, são responsáveis por equilibrar as coisas. McTavish faz um Drácula convincente. Callis como Alucard traz emoção ao personagem que no game é bem frio e quase não conversa. A coisa flui graças ao trabalho dos dois quando a relação pai / filho entre Drácula e Alucard se torna primordial. Murray é deliciosamente sinistra como Carmilla.

 

A Sypha de Reynoso √© boa, mas seu exagerado sotaque do leste europeu √© extremamente inconsistente. N√£o est√° claro por que ela est√° tentando imitar algo que n√£o sabe, j√° que a maioria das vozes dos outros personagens s√£o muito neutras. O tem o Godbrand de Stormare. √Č uma escolha divertida, embora a voz de Stormare n√£o soe exatamente como um b√°rbaro celta, em sua ¬†maior parte soa como algu√©m que sempre est√° b√™bado, e nem sempre parece que ele est√° na mesma vibra√ß√£o de seus colegas vampiros. Talvez essa fosse a inten√ß√£o.

Veredito

A segunda temporada de Castlevania não apenas oferece uma história mais profunda e com mais carne do que a 1ª temporada truncada, mas também oferece para gente que está assistindo, conhecendo ou não a história, uma conclusão muito mais satisfatória. No geral, esses 8 episódios contam uma história coesa e equilibrada de guerra sobrenatural e drama familiar. Muita coisa ainda vai acontecer já que a terceira temporada foi confirmada dias atrás.

Castlevania fez justi√ßa ao material original de uma maneira que poucas adapta√ß√Ķes de videogame conseguiram.

 

Netflix

Em uma √©poca em que a maioria dos est√ļdios ainda n√£o consegue descobrir como traduzir corretamente videogames para cinema e TV, Castlevania surge como o novo padr√£o. A 2¬™ temporada se baseia nos elementos que ficou da primeira temporada, expandindo o mundo e introduzindo personagens mais convincentes e cheios de nuances em uma guerra interna com Dr√°cula. A s√©rie consegue ser fiel ao material original, enquanto ainda faz grandes mudan√ßas quando necess√°rio e enfatiza o crescimento de cada personagem. Simplesmente brilhante.

Quem é PikachuSama

Editor de Contéudo deste site. Eu não sei muita coisa, mas gosto de tentar aprender para fazer o melhor.

 

  

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