Não deixe de conferir nosso Podcast!

Crítica | Mr. Queen expande, diverte sua mente e alma sobre a Dinastia Joseon

Resenha crítica com alguns spoilers sobre o sucesso hilariante de um homem que acaba indo parar dentro do corpo da rainha da Dinastia Joseon.

Mr. Queen
Reprodução (Netflix/tvN)

Resenha crítica com alguns spoilers sobre o sucesso hilariante de um homem que acaba indo parar dentro do corpo da rainha da Dinastia Joseon.

Mr. Queen deve ser um dos dramas de 2021 mais queridos do público. Eu quase fui para a clandestinidade para assisti-lo, quase mesmo! Porém, esperei quase um ano até ele chegar oficialmente na Netflix. Então, façam questão de ler minha resenha porque acredito que muita gente que está lendo neste exato momento assistiu faz tempo! Eu sei que o Telegram sai TUDO antes, mas como eu sou um cara honesto (eu respeito os valores que minha mãe ensinou), só agora consegui escrever sobre o Mr. Queen.  

Mas vamos do começo sempre, acredito que teremos spoilers neste texto, mas veremos. Eu vou mudando de opinião à medida que vou escrevendo. Um péssimo hábito! Primeiro que Mr. Queen foi lançado no Brasil pela Netflix com o nome “Sr. Rainha”, mas eu acho muito feio, então vamos deixar “Mr. Queen” que é musicalmente mais legal de falar e escrever, além disso, está também disponível na Apple TV em alguns lugares do mundo. Sem contar que estava disponível na Rakuten VIKI.

Oficialmente, Mr. Queen é uma adaptação do famoso drama chinês “Go Princess Go”, que também é uma adaptação de um texto de um autor que desceu o cacete falando coisas horríveis sobre a Coreia em outra obra que escreveu. Apesar de tudo e das polêmicas, as adaptações deram muito certo e a versão coreana explodiu mundo afora. Porém, aqui no Brasil, “Go Princess Go” tem bastante fãs. Aliás, vou começar a falar de dramas chineses também em algum momento.

A versão coreana (Sageuk) conta uma fantasia histórica, produzida pela tvN sobre um homem dos tempos atuais cuja alma fica presa no corpo de uma rainha da dinastia Joseon (ler-se Jowson). Mesmo sendo histórica, os acontecimentos em sua narrativa acabam acontecendo nos dias atuais e não é um drama sobre vidas passadas.

 

O humor do drama é divertido, eles não pesam tanto nestas características, além, é claro, do elenco de milhões que o drama tem e a química entre todos. Como originalmente, a história tem bastante pitadas sobre questões de gênero, nesta versão, os roteiristas e direção fizeram marabalismos para não acontecer uma relação homossexual entre os protagonistas. No entanto,  não tira a magia de “Mr. Queen”, já que o resto compensa com sobras.

Quase toda a história de “Mr. Queen” acontece no palácio real durante a dinastia Joseon, mas começa no mundo atual com Jang Bong-hwan (Choi Jin-hyuk), um dos chefs de cozinha mais renomados da Coreia, faz tanto sucesso que acabou virando o responsável pela cozinha da casa azul, a residência oficial do presidente. Porém, ele acaba se enrolando com a polícia e ao fugir, cai numa piscina e sua alma de algum jeito vai para o passado, no século 19, tropeçando de algum jeito com a alma da futura rainha Kim So-yong (Shin Hye-sun) que naquele exato momento no passado estava tentando se matar afogada.

LEIA TAMBÉM:  Crítica | Sandra Bullock faz um papel memorável, mas Caixa de Pássaros peca no ritmo.

Eu terminei o drama sem saber como as almas tiveram esse encontro predestinado. Não vi a versão chinesa, sequer li a versão original, então se alguém souber como duas almas em distintas linhas do tempo conseguiram se misturar fique a vontade.

Assim, a alma dos dois acabam vivendo no mesmo corpo de Kim So-yong. A futura rainha não é vista com bons olhos pela corte, além disso, o Rei Cheoljong (Kim Jung-hyun), parece desinteressado tanto em sua futura esposa quanto nos assuntos de Joseon, porém, os dois acabam se envolvendo em segredos e mais segredos da coroa à medida que a história avança. Vários clãs estão se matando pela sombra pelo controle político da Dinastia, fora todo esse mundo informação, cada um deles, o rei e sua rainha tem amores não correspondidos, ela pelo o primo e grande guerreiro Kim Byeong-in (Na In-woo) e ela pela concubina real Jo Hwa-jin (Seol In-ah).

Como sempre, um drama da Dinastia Joseon terá algum ministro/conselheiro por trás de todo o mal na história, por isso vamos focar no que interessa dessa divertida novela: a comédia. Achei os momentos cômicos inacreditáveis de bom. A Netflix disponibilizou apenas a versão dublada em português e foi hilário as adaptações que a Delart fez. Eles falam todos termos, nomes e entonações perfeitamente. A dublagem brasileira é impecável, mas a Netflix deveria ter colocado a versão original com legendas, fez falta.

Como é um drama com bastante cenas de comédia, os pontos fortes do “Mr. Queen” residem nesses momentos. Por exemplo, So-bong (só juntei os dois nomes Jang Bong-hwan com Kim So-young) faz do primeiro macarrão instantâneo de Joseon, na versão original, se chama Samhyang ramen, um jogo de palavras sobre o primeiro ramen real da Coréia do Sul, Samyang ramen. Na verdade, grande parte das cenas mais engraçadas de “Mr. Queen” está na brincadeira que eles fizeram em torno do vocabulário antigo e moderno, além das habilidades de So-bong na cozinha, fazendo comida que ninguém nunca ouviu falar.

No entanto, os momentos engraçados só acontecem porque estamos diante de Shin Hye-sun, a mulher não é uma estrela, sequer ouso chamá-la de constelação. Para mim, ela é uma Galáxia inteira! Não existe qualquer papel que ela não consiga fazer. Choi Jin-hyuk é incrível, as interações dos dois na cabeça da rainha são hilárias. Viver um personagem com vida dupla não teria como não dar certo. Os dois são grandes baluartes de “Mr. Queen” e vale a pena assistir esse drama por esses dois artistas que gosto muito.

O elenco tá cheio de gente incrível, mas não falar da Dama de Companhia, Senhora Choi (Cha Chung-hwa) e Hong-yeon (Chae Seo-eun) seria um erro gravíssimo de minha parte. As duas acabam passando pano para tudo que So-bong apronta na delicada política do reino. Cha Chung-hwa é uma das atrizes mais divertidas que existe na Coreia – a mulher dubla, faz peças de teatro, escreve livros, é professora universitária. Suas caras e bocas quando fala  “Vossa Majestade” valem cada frame na tela. Sem contar que suas cenas tem também a presença de seu amigo de longa data Kim In-kown, fazendo o chefe de cozinha real Man Bok. A química entre esse trio fez tanto sucesso que vídeos no Youtube com o seus cortes chegam a milhões de visualizações.

LEIA TAMBÉM:  San Diego Comic Con | Resumo do primeiro dia! Trailers, anúncios e mais!

 

Mr. Queen
Reprodução (dakilanglaagan)

 

Todavia, sempre é importante um parágrafo para reclamar. Sabem, é importante criticar aquilo que amamos também. E “Mr. Queen”, enquanto o elenco é tirar o chapéu, o tema mais inovador que eles poderiam ter abordado sem preconceito: a troca de gênero dos protagonistas. Acaba ficando uma colcha de retalhos. Os caras pisaram em ovo demais aqui. Qual o problema de Jang Bong-hwan se apaixonar pelo rei? Ficou muito travado isso para mim, mesmo com as interações das duas almas sendo hilárias. 

A sociedade sul-coreana ainda não gosta de representatividade em suas produções, principalmente LGBTQIA+. “Mr. Queen” se esforça para evitar que a linha amorosa de uma alma de um home num corpo de uma mulher seja rotulada como uma relação homossexual. Para justificar a atração de So-bong por Cheol-jong, os roteiristas acabam deixando claro que a alma de So-yong ainda reside no corpo da rainha. Como as lembranças e sentimentos de So-yong por Cheol-jong existem ao lado da alma de Bong-hwan, assim, a atração de So-bong por Cheol-jong  não é rotulada  como homossexual. 

Para quem não sabe, segundo a OMS, a pessoa ser heterossexual é apena o extremo de cores infinitas que sabe generos. A Coreia do Sul precisa abrir essa cabeça, não acham?

Mr. Queen
Reprodução (Hellokpop)

 

Ao contrário da luta de sentimento no interior de So-bong, Cheol-jong não tem ideia de que a alma de um homem está ocupando o corpo de So-yong. É claro que ele percebe que toda a personalidade dela mudou, além de mudar seus sentimentos também por ela. Será que ele acaba se apaixonando pela personalidade de Bong-hwan? Mesmo que em nenhum momento a rainha demonstre traços masculinos. De todo modo, ele acaba se apaixonando por ela e digamos que a alma de Bong-hwan foi apenas o catalisador para que isso tenha acontecido. 

O amor entre um homem e uma mulher existe, mas ao mesmo tempo, a alma de um homem também acaba considerando sua atração sexual. Apesar de tudo, apesar de tentarem cobrir a coisa com muita comédia, ainda tem essas camadas que percebi. Espero que tenham visto também.

“Mr. Queen” é engraçado e envolvente, Elenco, atuação garantem que o drama seja sólido durante toda sua execução, embora levantar questões sobre gênero tenha deixado tudo um pouco aberto, esse drama está longe de ser provocativo ou que tenha qualquer semelhança com elementos históricos da Dinastia Joseon,  mas ainda não é convencional e consegue ser interminavelmente divertido até o final. Recomendo com muito amor no coração.

“Mr. Queen” está disponível na Netflix.

Editor de Contéudo deste site. Eu não sei muita coisa, mas gosto de tentar aprender para fazer o melhor.