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Resenha | Por Deus ou Pelo Acaso (Becky Cloonan)

Os 3 contos presentes em Por Deus ou Pelo Acaso exigem interpretação e uma releitura apurada dos leitores que querem absorver todas as sutilezas presentes na narrativa da quadrinista Becky Cloonan, fazendo do quadrinho lançado pela editora Pipoca & Nanquim uma obra medieval imersiva e com várias camadas de interpretação.

Arte de Becky Cloonan
Três contos formam Por Deus ou Pelo Acaso: Lobos, O Pântano e Deméter. O fio que os une são as histórias de amor trágicas, em um cenário de fantasia medieval.

É bom o leitor que está acostumado com os lançamentos da editora Pipoca & Nanquim sobre espada e feitiçaria se preparar sabendo que Por Deus ou Pelo Acaso não é uma obra linear, como foi em O Anel do Nibelungo, Dragão Negro, Beowulf ou Marada, a Mulher-Lobo.

Não, longe disso. Os três contos medievais da quadrinista Becky Cloonan não são lineares e só conversam entre si em sua temática: histórias trágicas de amor em um cenário de fantasia medieval.

Para os fãs mais hardcore do tema, ouso comparar Por Deus ou Pelo Acaso como um jogo da From Software, como a franquia Dark Souls ou Bloodborne.

Explico. Os jogos da produtora são famosos por duas coisas: sua elevada dificuldade e pela capacidade em não apresentar de forma didática o universo em que se passam as tramas. Ao ponto que o jogo não mostra os acontecimentos pretéritos e a contextualização da narrativa, ele proporciona elementos que fazem com quem tem contato com eles interpretarem a história, ligarem eventos e personagens. Ou seja, cabe muita interpretação e atenção para aqueles que querem realmente entender os jogos da franquia Souls. Nem todos terão a paciência, mas, para aqueles dedicados, uma história fantástica se esconde ali.

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E foi dessa forma que me senti ao ler Por Deus ou Por Acaso, onde precisei reler e prestar mais atenção aos contos Lobos, O Pântano (a melhor história desse encadernado) e Deméter.

Arte de Becky Cloonan para Por Deus ou Pelo Acaso
O traço de Cloonan, com as cores de Lee Loughridge ajudam a passar a atmosfera de fantasia dark e opressão pela qual seus trágicos personagens passam.

Não que Por Deus ou Pelo Acaso seja uma leitura difícil. Longe disso. Seus três contos podem ser lidos de forma rápida até. Mas o leitor desatento pode perder muitos elementos postos ali, fazendo com que as 132 páginas do encadernado lançado pela editora Pipoca & Nanquim sejam objeto de, pelo menos, mais uma releitura.

Arte em preto e branco de Por Deus ou pelo Acaso.
Originalmente, publicado em 3 volumes em preto e branco, Por Deus ou Pelo Acaso foi republicado pela editora Image nos EUA, com cores de Lee Loughridge, sendo esse modelo o adotado pela edição brasileira.

A edição nacional de Por Deus ou Pelo Acaso está abarrotada com extras, como é o padrão da editora Pipoca & Nanquim. Ao passo que o volume contém as 3 histórias que formam o encadernado, a parte 4, Esboços e Ilustrações, é um show a parte, que enriquece a narrativa e faz o leitor crer que há mais contos futuros dentro deste rico universo criado por Cloonan.

Arte de Becky Cloonan para os extras de Por Deus ou Pelo Acaso.
Os extras da edição de Por Deus ou Pelo Acaso chegam a ter vida própria nessa narrativa de fantasia medieval e tragédia.

Por Deus ou Pelo Acaso é daquelas obras que exigem um pouco mais de atenção do leitor que quer absorver os vários elementos presentes na trama, cabendo, também, preencher vários fatos com as próprias interpretações. A edição está caprichada, fazendo com que os extras sejam uma narrativa a parte, tornando esse lançamento da editora Pipoca & Nanquim um conto imersivo e melancólico.

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Ficha Técnica

  • Capa dura, com 132 páginas
  • Editora Pipoca & Nanquim
  • Lançamento em maio de 2020
  • Preço de capa: R$ 62,90
  • Tamanho:  26,6 x 17,4 x 1,2 cm
Thiago de Carvalho Ribeiro. Apaixonado e colecionador de quadrinhos desde 1998. Do mangá, passando pelos comics, indo para o fumetti, se for histórias em quadrinhos boas, tem que serem lidas e debatidas.