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Resenha | Tex Edição Histórica Nº 107 (Editora Mythos)

Trazendo a história “Os Encapuzados”, esse encadernado conta com roteiro de Gian Luigi Bonelli, o criador de Tex, e arte de um Fernando Fusco ainda firmando seu traço marcante.

O enredo abre direto na ação, com o sítio dos Stanton atacado por um grupo de encapuzados firmes no propósito de arrancá-los de lá. Tex e Kit Carson, de passagem pela região, ouvem os tiros e decidir intervir no ataque, impedindo o massacre e afugentando os agressores.

Passado o susto, a dupla de ranger é posta pelos Stanton a par da situação na área: Paul Balder, grande proprietário local, vem intimidando os rancheiros vizinhos com ameaças e ataques. Quando as vítimas finalmente partem em busca de um ar menos pesado, Balder frauda o título de propriedade no cartório da cidade vizinha, Nogales, de modo a aumentar suas terras.

Seu nome, entretanto, não passa despercebido a Kit Carson: ele recorda de um certo Paul Balder, mais conhecido como “Don Pablo, El Carcicero”, que ganhou uma fortuna vendendo escalpos de índios apaches para o governo mexicano. Inteirado da situação, Tex propõe um acordo: Stanton simularia a venda de seu rancho ao nosso herói, de modo que possa sair de cena ao tempo em que Tex assumiria as terras, acobertando sua investigação do caso.

Entrementes, chegam a Nogales seu filho Kit Willer e Jack Tigre, que logo ficam cientes dos ataques de Balder e de seu novo status social. Tigre então tem uma ideia: por que não avisar o chefe apache Cochise do paradeiro de “El Carnicero”, entregando aos indígenas o direito à vingança pelas barbaridades cometidas no passado?

Enquanto o parceiro navajo de Tex parte ao encontro dos apaches, o ranger organiza uma reação ao clima de terror que Balder e seus asseclas espalhou em Nogales e arredores. Praticando verdadeiras técnicas de guerrilha contra o velho caçador de escalpos e sua manada, começam a alcançar seu objetivo de aterrorizar Balder.

Só não contavam com a chegada de outro elemento na jogada: Manolo, bandoleiro mexicano que chefia um grupo renegado de índios yaquis, é contratado por um assustado “Don Pablo” para caçar Tex de forma implacável. Conseguirão os rangers contornar dessa enrascada? Chegarão os apaches a tempo de realizarem sua vingança contra “El Carnicero”?

A trama de G. Bonelli corre de forma intermitente, instigando o leitor a devorar as 230 páginas num fôlego só. Encontramos aqui um Tex cínico, muito confiante de suas habilidades, que pouco esconde as cartas na manga antes de partir para o confronto direto com o vilão. Uma personagem interessante do enredo que aparece pontualmente ao longo da história é Nita, a companheira de Paul Balder. Ao ler suas cartas de tarô, antecipa muitos dos eventos que se desenrolarão, mas, embora avise Balder da tragédia iminente, é desacreditada pelo rancheiro, que demonstra verdadeiro horror às suas previsões.

Outro ponto a ser destacado é o trabalho de Fusco nos desenhos. Nesse volume, publicado originalmente em 1978 na Itália, não encontramos o traço que virou sua marca com o passar dos anos, forte, carregado de nanquim, formando rostos duros e expansivos tanto de Tex quanto de seus pards. Ao contrário, há certa fineza nos semblantes em alguns quadros, acentuada pela expressão irônica que a dupla de satanazes traz enquanto elabora seus planos.

Encadernado com capa cartão, Tex Edição Histórica nº 107 apresenta uma contextualização do enredo nas capas internas. Sai no famigerado formatinho e com papel jornal e boa impressão.

FICHA TÉCNICA:

  • Capa cartão, com 234 páginas;
  • Editora Mythos;
  • Lançamento em janeiro de 2019;
  • Preço de capa: R$ 27,90.

 

  • 9.6/10
    Roteiro - 9.6/10
  • 8.9/10
    Desenho - 8.9/10
  • 9.2/10
    Narrativa - 9.2/10
  • 9.1/10
    Nota Da Edição - 9.1/10
9.2/10
Rafael Machado
Parnaibano, leitor inveterado, mad fer it, bonelliano, cinéfilo amador. Contato: rafaelmachado@quintacapa.com.br