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Resenha | Black Hammer. Era da Destruição – Parte 02

Antes de chegar ao seu melancólico, porém, esperançoso fim, Jeff Lemire visita vários clichês do gênero de super-heróis em Black Hammer. Era da Destruição – Parte 02. Homenageando até mesmo a metalinguagem usada por Grant Morrison em sua passagem por Homem Animal, fazendo com que o fim da saga dos heróis presos na fazendo seja uma grande homenagem ao gênero dos quadrinhos, em especial ao dos superseres.

Arte de Rich Tommaso para Black Hammer
O esquizofrênico e atormentado Coronel Weird fará a vez do personagem que foge ao espaço das páginas dos quadrinhos e terá um encontro com seus criadores.

Desde o primeiro volume de Black Hammer a intenção de Jeff Lemire era clara: trazer vários arquétipos de super-heróis, em especial os da década de 1950 e 1960, e homenageá-los em um grande trama que o ponto alto sempre foi o desenvolvimento pessoal daqueles seres que viveram momentos de glória e, agora, estavam enclausurados em uma fazenda que mais lembrava uma prisão.

Revelando os mistérios da trama no volume anterior (Black Hammer. Era da Destruição – Parte 01), a situação onde se encontravam os personagens era desesperadora, já que, se voltassem para o mundo que salvaram do Anti-Deus (grande nêmesis da saga), poderiam causar a destruição da terra, em um ciclo sem fim de violência e caos.

Uma coisa deve ser dita nesta parte final da grande saga que é Black Hammer: a qualidade do roteiro nunca decaiu, fazendo deste um dos melhores trabalhos de Lemire, que soube usar os clichês do gênero dos super-heróis como motor da sua narrativa.

Arte de Dean Ormston para Black Hammer
Até mesmo o clichê dos heróis esquecerem quem são, mas precisarem salvar o mundo, é bem usado na parte final de Black Hammer.

Em Black Hammer. Era da Destruição – Parte 02, duas ferramentas do gênero dos quadrinhos são usadas, sendo o volume separado em dois momentos. No primeiro, quando Coronel Weird está perdido no espaço que corresponde a uma grande homenagem aos vários gêneros dos quadrinhos, tendo um contato até mesmo com seu criador (Jeff Lemire); E, no segundo momento, quando os heróis voltam à sua terra, mas esquecem quem são, vivendo uma vida normal. Porém, para salvar o planeta, terão que tomar uma difícil decisão.

Esses dois momentos, em especial o primeiro, são grandes homenagens em um roteiro muito fluído e instigante. Assim como o Homem-Animal de Grant Morrison da década de 1980, Coronel Weird conhecerá heróis esquecidos, o limbo e terá um encontro com seu criador.

A arte de Rich Tommaso nesse momento inicial casa muito bem, sendo um traço muito cartoon e colorido, cuidando o artista, também, das cores. Esse primeiro momento é um contraste com a arte cinza de Dean Ormston, que é o responsável pelo final da saga, com o colorista Dave Stewart, responsáveis pela maior parte da arte de Black Hammer, e que sempre passaram um ar de melancolia.

Arte de Dean Ormston para Black Hammer.
Os heróis terão que sofrer novamente, levando-os a mais uma escolha difícil nessa grande saga.

É uma pena que o ponto negativo desta parte final seja o destino da Menina de Ouro, personagem tão fantástica. A solução que a leva a aceitar seu novo destino é feita de forma rápida e sem desenvolvimento algum, sendo tudo um grande Deus ex machina de Lemire. Pode-se dizer que é um grande escorregão pela forma como o escritor vinha tratando seus ótimos personagens.

A edição da editora Intrínseca segue o bom padrão que adotou nos volumes passados. Black Hammer. Era da Destruição – Parte 02 possui as capas originais, alternativas e esboços comentados de capas e páginas. E o melhor de tudo: foi lançado em 4 volumes sem capa dura ou edição que colocasse o preço de capa lá nas alturas, fazendo com que o ato de ler o quadrinho não exija esforço maior do leitor, que vive sendo bombardeado com pesadas edições capa dura.

Arte de Dean Ormston para Black Hammer
É uma pena que o escritor tenha criado um final tão apressado para uma das melhores personagens da trama, a Menina de Ouro.

Ao final da leitura de Black Hammer. Era da Destruição – Parte 02, o leitor terá aquela sensação de fim de jornada e fechamento satisfatório da trama. Black Hammer se mostrou uma história de homenagem e desenvolvimento de personagens bastante redonda, nunca deixando, em nenhum volume, a qualidade do roteiro e arte baixar, apesar de um errinho aqui e ali.

 

Ficha técnica:

  • Capa cartão, com 192 páginas;
  • Editora: Intrínseca;
  • Lançamento: abril de 2020;
  • Dimensões do produto: 25,6 x 16,6 x 1 cm;
  • Preço de capa: R$ 44,90.
  • 9.7/10
    Roteiro - 9.7/10
  • 10/10
    Desenhos - 10/10
  • 10/10
    Narrativa - 10/10
  • 10/10
    Edição Nacional - 10/10
9.9/10

Summary

Criada por Jeff Lemire e Dean Ormston, a premiada série Black Hammer conquistou o público e a crítica ao unir elementos de grandes clássicos dos quadrinhos, tramas únicas e personagens complexos. Sucesso inquestionável, agora a intensa jornada se encaminha para o desfecho, quando finalmente vamos descobrir o que aconteceu com os maiores heróis de Spiral City.

Após derrotarem o poderoso e maligno Antideus, eles caíram no esquecimento ao se verem presos em um estranho purgatório: uma fazenda isolada e misteriosa da qual não conseguem sair. Por dez anos viveram como uma família, escondendo sua verdadeira natureza dos habitantes locais. Até que uma visita vinda de seu antigo mundo consegue chegar até eles, trazendo consigo a esperança de voltarem para casa, mas também o prenúncio de uma era de caos e destruição.

Neste quarto e último volume, mais segredos vêm à tona, e quando a verdade sobre o que aconteceu naquela batalha fatídica é revelada, o mundo dos ex-heróis muda completamente outra vez. Com o equilíbrio do universo sob ameaça, eles serão obrigados a decidir se o preço que pagaram para salvar Spiral City valeu a pena.

Thiago Ribeiro
Thiago de Carvalho Ribeiro. Apaixonado e colecionador de quadrinhos desde 1998. Do mangá, passando pelos comics, indo para o fumetti, se for histórias em quadrinhos boas, tem que serem lidas e debatidas.