Segunda, 17 De Dezembro De 2018

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D&Dezembro| Motivos de Critical Role ser o máximo e você precisar ver

Uma carta de amor à campanha mais assistida da internet.

Existem v√°rios tipos de coisas geniais, mas eu consigo destacar duas: A primeira √© uma coisa esperta, que se voc√™ tivesse sido um pouco mais esperto, tamb√©m teria feito. √Č algo que quando voc√™ olha, consegue imaginar exatamente como foi feito. E existem as poucas coisas no mundo que fazem voc√™ ficar de boca aberta e admitir que n√£o conseguiria fazer nem que tentasse. Critical Role √© uma dessas coisas que te fazem tirar o chap√©u e admitir:¬†Isso √© o m√°ximo. (Embora isso n√£o fa√ßa com que desistamos de tentar, aguardem o QuintaCast RPG)

Para os desavisados, Critical Role é uma campanha de RPG narrada ao vivo no canal Geek and Sundry do youtube, com um diferencial: Todos os participantes são dubladores profissionais. A série já tem uma campanha finalizada e já está desenvolvendo a segunda. E apesar do ar formal que as coisas parecem tomar com todos esses profissionais e programas, a parte mais sensacional é que eles são amigos acima de tudo.

E essa amizade permeia boa parte do programa: A primeira campanha iniciou na festa de aniversário de um dos participantes, e era originalmente um jogo de Pathfinder. Quando eles iniciaram o stream o jogo já estava andando, e eles recém migraram para o D&D 5e. Com isso, o mundo de Exandria, onde o jogo se passa, é um mix de conceitos dos dois jogos, inclusive várias divindades de Pathfinder continuam a existir em Exandria. O cenário foi desenvolvido ao longo da campanha ao ponto de várias pessoas pedirem e Matthew Mercer (o Dungeon Master do jogo) escrever um suplemento não-oficial para as coisas que ele faz.
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As pessoas por trás da série são incríveis

Caso voc√™ se d√™ ao trabalho de assistir o primeiro epis√≥dio da primeira campanha, e o primeiro epis√≥dio da segunda, voc√™ ir√° notar uma¬†gigantesca melhoria em todos os aspectos. Isso se d√° ao trabalho incr√≠vel de todos os envolvidos nos bastidores do programa, que antes era gravado numa sala e hoje tem o luxo de um est√ļdio.

Os participantes da mesa também fazem coisas incríveis e personagens carismáticos, ao mesmo tempo que mantém o ritmo da mesa agradável e sem longos e entediantes partes silenciosas, e parte disso vem da incrível interpretação de personagem deles, que embora seja ajudada pela capacidade de dar vida através das vozes, também são plenamente possíveis de fazer em sua mesa!

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Os jogadores

Apesar de ter uma mesa com atores profissionais seja o sonho molhado de qualquer Mestre de Jogo, o que torna as partidas em stream interessantes não é só a capacidade de dublagem dos envolvidos, mas sim a pro-atividade dos jogadores de não deixar a mesa morrer ao mesmo tempo que está disposta sempre a ouvir e diminuir um pouco o ritmo.

Não são raros os momentos emocionais de desenvolvimento de personagem, e isso se dá porque todos estão dispostos a ouvir uns aos outros e lidar com aquilo. Criar diálogos entre os próprios personagens e desenvolver a relação entre eles ao invés de fazer um enorme jogo de ping-pong entre o mestre e os jogadores com algumas roladas de dados no meio.

Essa postura favor√°vel a interpreta√ß√£o de personagens faz com que os sil√™ncios feitos em cada sess√£o sejam significativos, e que contem uma hist√≥ria por si s√≥, afinal, √© como os personagens reagiriam √†quilo. A amizade entre os jogadores (como os melhores amigos Liam O’Brian e Sam Riegel) tamb√©m s√£o refletidos na mesa de maneira mais que interessante, e muitas vezes, emocionante

Fora isso, quando os momentos de a√ß√£o chegam, a tomada de decis√Ķes √© r√°pida, mantendo o ritmo da narrativa de maneira adequada e n√£o entediante. Claro, algumas decis√Ķes n√£o s√£o t√£o acertadas, mas isso n√£o tira a divers√£o do jogo: Pelo contr√°rio, enriquece a experi√™ncia.

Ser capaz de imergir-se no mundo e na trama do mestre é bom, mas ser capaz de ajudar na imersão fazendo um personagem fazer coisas interessantes ou cometer erros é ainda melhor.

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O mestre

Matthew Mercer √© um excelente mestre de jogo, sendo capaz de improvisar rapidamente, prover descri√ß√Ķes interessantes e criar situa√ß√Ķes fant√°sticas dentro de sua narra√ß√£o. Ele tamb√©m j√° fez um pequeno programa chamado GM Tips (que hoje √© feito pela Satine Fenix) onde d√° diversas e √ļteis dicas de como ser um melhor Mestre de Jogo.

Talvez o que fa√ßa de Mercer um mestre t√£o bom n√£o seja s√≥ sua prepara√ß√£o e capacidade narrativa, mas tamb√©m suas rea√ß√Ķes √†s ideias dos jogadores; frases como “Voc√™ pode tentar” s√£o bem comuns na partida. Ele n√£o dispensa ideias criativas dos jogadores, na verdade, as encoraja a um ponto que talvez n√£o seja t√£o saud√°vel (ele chegou a escrever 2 classes homebrew pra suas campanhas para os personagens de Taliesin Jaffe: Gunslinder para Percy e Blood Hunter para Mollymauk).

Manter um jogo semanal não é fácil, e fazer com que todas as partidas sejam boas é mais difícil ainda. Porém, ainda sim, não é impossível.

O legado

Com seu estilo de jogo narrativista e emocionante, n√£o √© segredo que eles tamb√©m inspiraram muita gente (inclusive n√≥s aqui do Quinta Capa!) a fazer fan-arts, e at√© mesmo m√ļsicas. Aqui est√£o algumas de minhas favoritas:

 

E n√£o somente isso, como muito da comunidade de D&D e da pr√≥pria Wizards of the Coast parecem ter sa√≠do diretamente de piadas que surgiram dentro das campanhas, como por exemplo a propaganda do programa oficial da WotC, o D&D Beyond. A m√ļsica cantada por Sam Riegel foi improvisada na entrada de um dos epis√≥dios da segunda temporada.

Se você souber inglês, por favor, assista.

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