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RPG|Conhecendo o Cenário: Tal’Dorei

Conheça Tal’Dorei, porque aparentemente não falamos o suficiente sobre Critical Role!

Não, sério, a gente já escreveu bastante sobre o show. Pra quem é novo no RPG, ou prefere não conviver com as pessoas do meio do hobbie (não te culpo): É um programa ao vivo onde dubladores americanos jogam RPG de mesa. Já escrevemos aqui os motivos disso ser sensacional, e aqui já demos dicas de como acompanhar o programa. Com certeza deve ter mais alguns textos sobre eles no site. Mas dessa vez eu resolvi falar sobre Tal’Dorei Campaign Setting escrito por Mercer.

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Origens

Tudo começou com um grupo de dubladores americanos que decidiram jogar Dungeons & Dragons. Dois deles tinham um podcast, e compartilharam algumas gravações das sessões, que levaram pessoas a pedir por mais. Daí surge a oportunidade deste pessoal trabalhar dentro do canal Geek and Sundry, e daí surge Critical Role.

O programa cresceu e o número de pessoas interessadas em jogar no mesmo cenário criado pelo mestre Matthew Mercer. Juntando todas as suas anotações de anos de partida e fazendo uma pequena aliança com a editora Green Ronin (Responsável por Dragon Age RPG e A Song of Ice and Fire RPG), o caminho estava bem claro. A campanha nasceu como um pequeno cenário de fantasia para que todos os jogadores se sentissem acolhidos. Tudo começou como um único jogo na quarta edição, que imediatamente depois foi transformado num jogo de Pathfinder. Só que tudo isso aconteceu antes da Stream começar, e quando o primeiro episódio de Critical Role foi ao ar, estavam jogando a Quinta Edição de D&D.

Isso é um fato importante, porque Tal’Dorei enquanto cenário é uma amálgama com elementos do cenário tanto de D&D quanto de Pathfinder, mas ao mesmo tempo é algo completamente único. A primeira curiosidade é que, apesar de não ser necessário ver a stream para aproveitar o conteúdo escrito no livro, alguns dos elementos históricos citados no mesmo são presenciados durante a Stream. Isso mesmo, o livro se passa após os acontecimentos da primeira campanha. “Ah, mas os personagens da Live já fizeram tudo de interessante”: NÃO! Se qualquer coisa, eles bagunçaram a organização do mundo, criando ainda mais problemas e plots interessantes.

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O que faz de Tal’Dorei único?

Assim como em Forgotten Realms, os deuses são presenças plenamente reais, embora distantes, e negar sua existência é simplesmente impossível. Isso se dá porque pouco mais de 800 anos antes do tempo presente, uma guerra entre os deuses criadores e os deuses traidores aconteceu, tendo a própria humanidade (e todas as outras raças também) como espectadores e lutadores. Este evento é conhecido como “A Calamidade”, e foi após isso que os deuses se tornaram mais distantes.  E mesmo após a calamidade, diversos eventos históricos tornam Tal’Dorei ligeiramente diferente de seu cenário de fantasia tradicional.

Não há reis. Quer dizer, não mais. Após a Calamidade, houve um tempo onde o continente de Gwessar (onde se passa a primeira campanha e a localização que este livro se concentra) era dominado pelo punho de ferro de Drassig. Em suas campanhas de dominação, aparentemente conseguiu irritar não só elfos como também a própria população, levando à um levante popular. Uma líder chamada Zen Tal’Dorei saiu vitoriosa e embora alguns quisessem dar a ela a coroa e o título de rainha, ela negou e ao invés disso se tornou uma “Soberana”. Assim passou a governar com ajuda de um conselho eleito. Além de essencialmente mudar o nome do continente para Tal’Dorei.

Tal’Dorei é uma república em ascensão. Através dos eventos que transcorreram na primeira campanha, a soberania perde muita força e o conselho passa a tomar as decisões. Mas as coisas nem sempre vão como o planejado. E caso um grupo politicamente inclinado não ajude neste periclitante mudança, tudo pode dar muito errado.

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Você acha que isso é tudo? Tem mais…

Uma coisa que eu achei mais interessante, embora plenamente ignorável, é que as armas de fogo existem. Isso demonstra que o mundo está evoluindo, não apenas politicamente como também tecnologicamente. Embora sejam raras o suficiente pra você não precisar cruzar nunca com uma durante seu jogo.

O livro também conta com mais algumas opções para os jogadores, como Feats, sub-classes e Backgrounds. Também há itens mágicos e monstros novos para os mestres, mas acredito que a coisa mais útil dentro do livro em si são as sementes de aventura:

Estas sementes de aventura estão espalhadas nas diversas localizações do livro. Elas são pequenos incentivos e ideias que podem servir para iniciar uma aventura nova ou mesmo uma campanha inteira. Isso era algo que o Guia de Campanha de Neverwinter da quarta edição fez, e é uma das coisas que eu gosto. Vou colocar uma aqui, apenas pra que vocês consigam entender como funciona:

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O nome dessa semente é uma boa piada sobre Rei Arthur.

Considerações finais

Eu particularmente achei o conteúdo extremamente impressionante. Eu esperava que isso serviria somente para buscar dinheiro dos telespectadores do programa, mas fui surpreendido com um produto que teve bastante cuidado em sua produção.

O cenário consegue ser único e ao mesmo tempo, familiar. Eu também gosto de pensar que a qualquer momento eu posso assistir a live e ver como alguns dos acontecimentos históricos mais recentes do cenário aconteceram.

Eu diria que este é uma das coisas mais bem escritas disponíveis para a quinta edição até agora.

E você? O que acha de experimentar este cenário?
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John Cavalcante
Cortador de cana na empresa Quinta Capa