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Em “Cromáticas”, as Criações de Jorge Zentner e Rubén Pellejero Ganham Vida Com Cores Exuberantes

A editora Trem Fantasma segue promovendo lançamentos diferenciados no mercado brasileiro. Após títulos da Sergio Bonelli Editore, trouxeram Hugo Pratt em seu último trabalho e publicaram um volume histórico de “El Sueñero”, reunindo pela primeira vez no mundo todas as histórias do personagem criado pelo argentino Enrique Breccia.

Agora chegou a vez de “Cromáticas”, uma instigante coletânea de contos produzida pelo argentino Jorge Zentner e pelo espanhol Rubén Pellejero. Aqui, o grande destaque é a proposta dos autores em entrelaçarem com a mesma força os elementos narrativos presentes no quadrinho: roteiro, arte e colorização.

Conforme é explicado no posfácio, os autores prepararam as histórias aqui reunidas enquanto trabalhavam numa obra de maior fôlego, “El silencio de Malka”. Mas a proposta enxuta de cada enredo não limitou a criatividade da dupla, que se empenha em encantar e provocar o leitor, fugindo de soluções fáceis. Pellejero é um gênio do lápis, detalhista, genioso na passagem dos quadros que explicitam sua estética exuberante.

O jogo de cores que Rubén Pellejero trabalha em “Cromáticas”. Todos os direitos reservados à editora Trem Fantasma.

Zentner explora as possibilidades de cada conto, variando entre o encanto infantil que transcende a própria imaginação e se queda ao ciúme em “Neve”, passando pela poética do vazio trágico em “Blues”, que tem como narrador um peixe (!), encontrando um meio termo entre James Ellroy e Hunter Thompson no nostálgico “The Pink Neon”, até chegar nas duas últimas histórias.

Pois tanto “Le Mont Blanc” quanto “Cinza e Vermelho” são exemplares no recurso crucial que os autores apostam na composição das tramas: a paleta de cores é elemento basilar em cada conto, integrando-se ao roteiro e à arte. O verde inebriante em “Le Mont Blanc”, quase a cegar os personagens, sufocados na estadia que precede a continuação de uma viagem inominável, se transforma, por si só, no ponto de virada da história.

O jogo de cores que Rubén Pellejero trabalha em “Cromáticas”. Todos os direitos reservados à editora Trem Fantasma.

Na historieta que encerra o volume, a oposição marcada entre o cinza e o vermelho evidencia os momentos em que a vida apática do protagonista no último conto ficam para trás, mergulhando em sua paixão por ferroramas que, por sinal, o aproxima da trama de “Neve”, como a fechar um ciclo. Assim, “Cromáticas” ganha destaque pelo espírito criativo dos autores, que enchem os olhos do leitor com contos marcados por paixões e mistério.

Rafael Machado
Parnaibano, leitor inveterado, mad fer it, bonelliano, cinéfilo amador. Contato: rafaelmachado@quintacapa.com.br